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Saúde

Polícia e órgãos de saúde investigam óbitos de bebês em hospital na capital paulista

Unidade localizada na Mooca é alvo de inquérito policial e inspeções sanitárias após dezenas de mortes de crianças relatadas por famílias.

Por 3 min de leitura

Polícia e órgãos de saúde investigam óbitos de bebês em hospital na capital paulista
Polícia e órgãos de saúde investigam óbitos de bebês em hospital na capital paulista

A Polícia Civil de São Paulo e órgãos de fiscalização sanitária investigam as circunstâncias das mortes de bebês e crianças atendidas no Hospital e Maternidade Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na zona leste da capital. O inquérito policial está sob a responsabilidade do 8º Distrito Policial, no Brás, após os casos virem à tona e serem comunicados às autoridades competentes pela Secretaria da Segurança Pública.

Os registros sobre o total de óbitos apresentam divergências entre os órgãos oficiais e representantes das famílias. Enquanto a investigação policial formal apura inicialmente seis mortes ocorridas ao longo deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde informou que as vigilâncias Sanitária e Epidemiológica realizaram uma inspeção na unidade para averiguar um total de 35 óbitos de bebês registrados na instituição no mesmo período. Paralelamente, uma assistente jurídica que presta auxílio aos parentes das vítimas relata manter contato com dezenas de mães que perderam seus filhos na maternidade.

As diligências policiais envolvem a tomada de depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além de uma análise minuciosa de prontuários médicos para determinar as causas e eventuais responsabilidades. Entre as suspeitas levantadas pelos familiares estão a ocorrência de infecções contraídas durante os períodos de internação prolongada, possíveis falhas na assistência médica e divergências nos registros hospitalares.

Os boletins de ocorrência e as certidões de óbito obtidos apontam diagnósticos como sepse, choque séptico, pneumonia, insuficiência respiratória aguda e insuficiência renal aguda. Especialistas e autoridades ressaltam, contudo, que a indicação da causa médica do falecimento nos documentos oficiais não comprova, por si só, que a infecção tenha origem hospitalar ou que tenha havido erro de atendimento, sendo necessária a conclusão de exames periciais e análises técnicas.

Entre os casos relatados está o de uma criança que faleceu em abril após meses internada, com familiares apontando a contaminação por bactéria hospitalar após um procedimento simples. Outros relatos mencionam complicações decorrentes de acessos venosos e problemas em equipamentos durante o atendimento de emergência. Parte dos familiares demorou a procurar os órgãos competentes devido ao forte abalo emocional e estados depressivos decorrentes da perda.

Em nota oficial, a rede Hapvida, responsável pela gestão do hospital, declarou que os pacientes atendidos apresentavam quadros clínicos distintos e de alta gravidade, argumentando que as mortes não podem ser associadas a uma causa comum sem comprovação técnica. A instituição afirmou ainda que os tratamentos foram individualizados, que avaliações preliminares não identificaram origem infecciosa compartilhada e que o hospital permanece à disposição das autoridades, embora não tivesse recebido notificação formal sobre os procedimentos até o momento das inspeções.

Além da Polícia Civil, o caso mobiliza os Conselhos Regionais de Medicina e de Enfermagem, que abriram procedimentos internos para apurar possíveis irregularidades profissionais. As equipes das vigilâncias sanitárias estadual e municipal continuam avaliando os protocolos de higienização, prevenção de infecções e o funcionamento das unidades neonatal e pediátrica para definir as medidas administrativas cabíveis.

Fontes consultadas

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