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Brasil

Polícia identifica mulher que fez saudação nazista após votar no Rio

Erica Marques Pinho foi filmada no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e já teve duas testemunhas ouvidas pela Polícia Civil.

Por 3 min de leitura

Polícia identifica mulher que fez saudação nazista após votar no Rio
Polícia identifica mulher que fez saudação nazista após votar no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e investiga Erica Marques Pinho, de 46 anos, suspeita de realizar uma saudação nazista ao deixar o local de votação no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul da capital fluminense. O episódio ocorreu durante o segundo turno das eleições, no último domingo.

Nas imagens que circularam e foram anexadas ao inquérito, a eleitora aparece vestindo uma camisa amarela da Seleção Brasileira e um boné com a inscrição MAGA, sigla em inglês associada ao lema político do ex-presidente americano Donald Trump. Ao caminhar em direção à saída da escola, ela levanta o braço em um ângulo próximo de 45 graus, em um gesto que remete ao regime de Adolf Hitler.

O caso é conduzido pela 10ª Delegacia de Polícia, localizada em Botafogo, que registrou a ocorrência como injúria e preconceito. Até o momento, duas testemunhas já prestaram depoimento, incluindo o homem que gravou a discussão com a suspeita.

Ian Andrade Obraczka, de 31 anos, relatou que decidiu confrontar a eleitora após ser alertado por uma amiga de que ela teria repetido a saudação na entrada da zona eleitoral. No vídeo gravado por ele, Ian questiona se ela é nazista, ao que a mulher responde perguntando se ele é comunista. Ao ouvir que Ian é judeu, a suspeita teria respondido "pior ainda".

Em entrevista, Ian afirmou ter ficado chocado com a situação. "Ela saiu super orgulhosa fazendo uma saudação nazista e a gente foi em cima dela perguntar se era isso mesmo. Eu nunca tinha vivido isso na minha vida, como judeu. Foi muito chocante", declarou.

O episódio gerou forte repercussão e levou a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) a emitir uma nota de repúdio. A entidade classificou o ato como uma afronta grave aos valores democráticos, à dignidade humana e à memória das milhões de vítimas do Holocausto. A federação destacou ainda que manifestações de ódio e o antissemitismo não podem ser naturalizados ou tolerados, especialmente durante o exercício do voto.

O caso também foi encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro pelo vereador Flávio Valle, único parlamentar judeu da Câmara Municipal e presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo, que cobrou a responsabilização rigorosa da suspeita.

A legislação brasileira enquadra a prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional como crime passível de reclusão e multa, além de prever penas específicas para a veiculação de símbolos associados ao nazismo. A Polícia Civil informou que diligências continuam em andamento e que a mulher deverá ser ouvida formalmente nos próximos dias.

Fontes consultadas

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