Preço de carros usados perde força e registra menor alta em um ano
Aumento na oferta de veículos novos e concorrência acirrada com modelos eletrificados pressionam para baixo o valor de revenda no país.
O mercado brasileiro de automóveis usados e seminovos atravessa um momento de desaquecimento e perda de ritmo nos preços. O índice IBV Auto, do banco BV, apontou que os preços dos veículos leves de segunda mão avançaram apenas 0,36% entre julho e setembro de 2026, marcando a menor variação trimestral registrada em um ano. O resultado iguala o patamar observado no terceiro trimestre de 2019, quando a série histórica do indicador teve início.
A desaceleração fica evidente quando comparada aos trimestres anteriores. No período entre abril e junho deste ano, o indicador havia subido 1,27%, enquanto no terceiro trimestre de 2025 a alta alcançou 2,04%. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o avanço atingiu 3,86%, ficando abaixo dos 4,05% registrados no mesmo intervalo do ano anterior. Em doze meses, a valorização média acumulada está em 5,12%.
Especialistas apontam que a perda de força nos preços decorre de uma conjunção de fatores, incluindo a atividade econômica mais moderada, o alívio inflacionário e, principalmente, a forte concorrência exercida pelos veículos zero-quilômetro. Com campanhas agressivas, descontos e a chegada de novos concorrentes — como as marcas chinesas focadas em tecnologias híbridas e elétricas —, a diferença de preço entre um automóvel usado e um novo diminuiu consideravelmente.
Esse cenário de maior competitividade afeta de maneira distinta os diferentes tipos de propulsão. Os veículos elétricos lideram as perdas de valor de revenda: os modelos lançados em 2023 acumulam desvalorização de quase 47% até setembro. Na sequência aparecem os híbridos, com queda de 27,89%, e os automóveis movidos a combustão, cuja desvalorização média chega a 22,20%.
As reduções de preços também variam conforme a categoria e a região do país. Dados de plataformas de mercado mostram que categorias como SUVs, crossovers e picapes compactas registraram recuos expressivos nos últimos meses. Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior alta no terceiro trimestre, com 0,69%, seguido por Centro-Oeste e Sul. Em contrapartida, o Norte foi a única região a registrar recuo, de 0,19%, enquanto o Sudeste permaneceu praticamente estável, com alta de 0,03%.
Para quem pretende vender o veículo ou utilizá-lo como parte do pagamento na compra de outro, o momento é desfavorável. Lojistas e concessionárias passaram a avaliar os usados por margens menores devido ao risco de novas desvalorizações no estoque. Consequentemente, ofertas que antes correspondiam a cerca de 80% da Tabela Fipe passaram a girar em torno de 75% ou menos, exigindo maior desembolso financeiro por parte dos consumidores nas trocas.
Apesar da retração nos preços e de quedas mensais pontuais nas vendas, o mercado de usados continua movimentado em volume. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores indicam que o acumulado de transações de veículos nos primeiros nove meses de 2026 apresentou crescimento em relação ao ano anterior, impulsionado sobretudo pela alta procura por seminovos com até três anos de uso.
Fontes consultadas
- Paula Gama: Hora ruim para vender? Por que preço de carro usado despencou no Brasil uol.com.br
- Os 10 carros usados mais vendidos do Brasil em setembro de 2026 autoesporte.globo.com
- Preços de carros usados perdem força e registram menor alta em 1 ano no 3º trimestre, aponta IBV Auto br.jetss.com
- Preços de carros usados têm menor alta em um ano, registra o IBV Auto amazonasatual.com.br
- Carros usados perdem força, enquanto elétricos acumulam desvalorização de 47% movimentoeconomico.com.br