Pró-longamento de votação causa confusão com urnas fechadas no país
Decisão do STF estendeu o horário do pleito após as 17h, gerando impasses e falhas no atendimento em diversas seções eleitorais.
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar por duas horas a votação em todo o país gerou forte confusão entre mesários e presidentes de seção eleitoral. Emitida pouco após as 17h deste domingo, a medida surpreendeu equipes de mesários que já haviam encerrado os trabalhos, impresso os boletins de urna e, em alguns casos, até mesmo lacrado e enviado os equipamentos de volta aos Tribunais Regionais Eleitorais.
O pedido de extensão do período de votação partiu de aliados da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores, sob a justificativa de problemas no transporte público e de fortes chuvas em diferentes regiões do Brasil. A medida, contudo, encontrou barreiras operacionais intransponíveis em várias localidades, uma vez que o sistema eletrônico impede a reabertura de urnas já desligadas e totalizadas.
Em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, mesários relataram incertezas e falta de diretrizes imediatas. Em algumas escolas, os portões chegaram a ser reabertos, mas os eleitores depararam-se com equipamentos lacrados ou em processo de transporte. Em Brasília, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral informou que não houve tempo hábil para o cumprimento da determinação em ao menos doze colégios, onde as urnas já haviam transmitido os dados ao Tribunal Superior Eleitoral.
Diante do impasse, o ministro Zanin e o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, esclareceram que a extensão do horário se aplicava estritamente às seções cujas urnas ainda não haviam sido fechadas. Enquanto isso, eleitores afetados pela desorganização e por falhas no transporte público manifestaram frustração em frente aos locais de votação, com relatos de pessoas que tentaram votar após o horário inicial, mas foram orientadas a procurar a Justiça Eleitoral para registrar justificativas.
A repercussão do pleito brasileiro também ganhou destaque na imprensa internacional, que classificou a eleição como extremamente acirrada e marcada por momentos caóticos devido à polêmica sobre os horários. Veículos de comunicação da Europa e das Américas acompanharam em tempo real a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, ressaltando a forte polarização política e o impacto do resultado para o cenário da América Latina.
No exterior, a votação começou antecipadamente em países da Ásia e da Oceania, onde brasileiros compareceram às urnas embaixadas e consulados. Enquanto o atual presidente registrou vitórias expressivas em nações como Nova Zelândia, Coreia do Sul e China, o candidato do PL obteve vantagem expressiva no Japão e um resultado apertado na Malásia, demonstrando a divisão do eleitorado brasileiro residente fora do país.
Fontes consultadas
- Prorrogação inédita da votação causa confusão com urnas fechadas e seções já apuradas pelo país - Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Imprensa internacional repercute prolongamento da votação no Brasil | G1 g1.globo.com
- 'Caótica', 'confusa' e 'polêmica': Imprensa internacional repercute segundo turno das eleições no Brasil oglobo.globo.com
- Urnas pelo mundo: veja quem venceu as eleições fora do Brasil em países como Japão e China terra.com.br
- Mesários relatam confusão e incerteza após prorrogação do prazo para votar | CNN Brasil cnnbrasil.com.br