Propostas para idosos e funcionalismo público marcam segundo turno
Candidatos à Presidência detalham planos voltados à renda de aposentados, saúde e modernização da administração pública.
Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentaram propostas focadas na proteção aos idosos, na gestão da Previdência e no futuro do serviço público federal para a disputa do segundo turno. As campanhas buscam atrair o eleitorado com mais de 60 anos, faixa etária em que as estratégias se dividem entre a manutenção de reajustes reais no salário mínimo e o combate a fraudes e descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social.
Na área econômica e de assistência, a plataforma de Lula prevê a continuidade da política de valorização do piso nacional com ganhos reais acima da inflação, medida que impacta diretamente aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada. O programa do atual presidente também aposta na expansão do atendimento domiciliar pelo Sistema Único de Saúde e no fortalecimento de Centros-Dia para promover o envelhecimento ativo.
Por outro lado, o plano de Flávio Bolsonaro concentra esforços na redução de custos trabalhistas e na revisão de regras do crédito consignado para proteger os beneficiários da Previdência contra fraudes e descontos associativos indevidos. O senador negou propostas de desvinculação entre o reajuste do salário mínimo e as aposentadorias, classificando informações contrárias como boatos, e destacou o compromisso com a responsabilidade fiscal.
A mobilização dos eleitores com 60 anos ou mais tornou-se central devido à disputa apertada nas pesquisas e ao peso do voto facultativo entre os maiores de 70 anos. Enquanto a campanha petista utiliza vídeos com artistas e incentiva o uso do comprovante de votação como prova de vida no INSS, a chapa de Flávio aposta na atuação de seu vice, relator de uma comissão parlamentar de inquérito sobre fraudes previdenciárias, para reforçar a imagem de defesa dos segurados.
No tocante ao funcionalismo público, os programas de governo apontam caminhos distintos para as futuras contratações e a estrutura do Estado. Nenhuma das plataformas estabelece metas numéricas fixas para a abertura de novos concursos federais, mas os documentos indicam diretrizes que impactam diretamente a recomposição de pessoal e a organização das carreiras na administração direta.
O plano de Lula enfatiza a valorização contínua do funcionalismo por meio do diálogo na Mesa Nacional de Negociação Permanente, a ampliação de políticas de cotas e a manutenção do modelo de concurso público unificado. Em gestões recentes sob o atual governo, foram autorizados dezenas de milhares de provimentos em órgãos federais.
Em contrapartida, a proposta de Flávio Bolsonaro propõe uma reforma administrativa voltada à modernização do Estado, que inclui a redução de ministérios, o corte de cargos comissionados e o combate a supersalários. A assessoria do candidato informou que novos concursos serão realizados de acordo com as necessidades técnicas dos órgãos para garantir maior eficiência na prestação de serviços à população.