Proprietários de carros chineses enfrentam longas esperas por peças no Brasil
Motoristas relatam dificuldades no pós-venda, falhas de comunicação e prazos prolongados para reparos em concessionárias.
A expansão acelerada das marcas de veículos chineses no Brasil tem trazido desafios expressivos para o setor de pós-venda, com diversos proprietários relatando dificuldades para encontrar peças de reposição e prazos prolongados para a realização de consertos. O fenômeno, impulsionado pela chegada de novas tecnologias e preços competitivos, esbarra muitas vezes na falta de estrutura adequada para atender à demanda de manutenção da frota nacional.
A estratégia adotada por muitas montadoras estrangeiras costuma priorizar o lançamento de modelos e o volume de vendas, deixando em segundo plano a cadeia logística de componentes e serviços. Como consequência, motoristas de diferentes regiões do país enfrentam longas esperas para a conclusão de reparos simples e complexos em seus veículos.
Um dos casos relatados envolve um motorista de Sorocaba, no interior paulista, que precisou aguardar meses pela substituição de um para-brisa danificado em seu veículo da marca MG. O processo, iniciado em abril de e concluído somente em setembro, foi marcado por falhas de comunicação, atrasos sucessivos e erros no envio do componente correto pela rede de fornecedores.
Mesmo após a troca do vidro, o proprietário ainda encontrou novos obstáculos, já que o sistema de assistência à condução, conhecido como ADAS, parou de funcionar. A oficina terceirizada encarregada do serviço não possuía os equipamentos homologados necessários para a recalibração da câmera, evidenciando a falta de integração entre as redes de atendimento e as exigências tecnológicas dos automóveis.
Em outra ocorrência registrada na capital paulista, o dono de um modelo Leapmotor precisou deixar o carro imobilizado por pouco mais de dois meses em uma concessionária após sofrer danos em decorrência de um incidente na estrada. Além da demora na chegada das peças para o conserto de rodas, pneus e amortecedores, o consumidor apontou falhas no suporte e na comunicação por parte dos atendentes.
Em nota oficial sobre os episódios, representantes das marcas argumentaram que eventuais atrasos pontuais podem ocorrer devido a fatores logísticos, processos de importação ou indisponibilidade temporária de componentes no mercado. As empresas destacaram que monitoram continuamente suas cadeias de suprimentos e reforçaram a disposição para solucionar pendências e oferecer atendimento prioritário aos clientes afetados.