Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo gera debates e críticas
Entrevista do senador repercutiu no meio político e artístico, enquanto campanhas ajustam estratégias para o segundo turno presidencial.
A sabatina do senador Flávio Bolsonaro (PL) conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e exibida ao vivo logo após o Jornal Nacional, tornou-se um dos principais assuntos da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. A conversa seguiu a entrevista concedida pelo presidente e candidato à reeleição Lula (PT), cujas ordens de participação foram definidas por sorteio prévio entre as campanhas.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro defendeu propostas e respondeu a questionamentos sobre temas econômicos e investigações. Entre as declarações abordadas, o senador afirmou que a dívida do Brasil está em R$ 11 trilhões, dado que coincide com o registro do Banco Central de agosto de 2026, que apontou a Dívida Bruta do Governo em R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB. O candidato também comentou sobre as investigações envolvendo o financiamento da cinebiografia 'Dark horse' e as condenações relativas aos atos de 8 de janeiro.
A condução da sabatina gerou reações no meio artístico. O ator José de Abreu utilizou as redes sociais para criticar duramente a entrevista, argumentando que o político teve liberdade para responder sem um confronto rigoroso a declarações que o artista considerou imprecisas. Abreu também questionou a relação institucional da emissora após um almoço recente entre executivos do grupo de comunicação e o parlamentar.
Em resposta às críticas sobre a independência editorial, a emissora esclareceu que encontros institucionais com candidatos fazem parte da rotina jornalística e ressaltou que nenhuma liderança do jornalismo participou do encontro. A própria sabatina contou com intervenções da jornalista Renata Lo Prete, que cobrou esclarecimentos do candidato sobre afirmações sem comprovação documental.
Nos bastidores da campanha eleitoral, a movimentação política se intensifica. Aliados de Lula apontam que a mudança de postura do presidente em relação à maioridade penal — ao defender a redução de 18 para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos durante sua sabatina — fez parte de uma estratégia para disputar espaço em uma pauta fortemente associada aos concorrentes. A medida, contudo, gerou divisões internas entre apoiadores e setores do Partido dos Trabalhadores.
O impacto desse cenário na preferência do eleitorado começa a ser medido pelo instituto Datafolha, cuja nova pesquisa de campo ocorre entre terça e quinta-feira. O levantamento será o primeiro a capturar a repercussão do debate na Band, das sabatinas de Lula e Flávio Bolsonaro na televisão e da recente aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 pelo Congresso Nacional, em um momento em que as pesquisas apontam acirramento na disputa pela Presidência da República.
Fontes consultadas
- Fato ou Fake: entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) à Globo no 2º turno | G1 g1.globo.com
- Mônica Bergamo: Dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro para 'Dark Horse' não saiu de patrocínio do Banco Master www1.folha.uol.com.br
- José de Abreu chama sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo de horror - Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Campanha de Lula vê posição sobre maioridade como estratégia para esvaziar Flávio; entenda diariodocentrodomundo.com.br
- A nova pesquisa presidencial do Datafolha, a primeira após a aprovação do fim da escala 6x1 oglobo.globo.com