Pular para o conteúdo
Política

Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo gera debates e críticas

Entrevista do senador repercutiu no meio político e artístico, enquanto campanhas ajustam estratégias para o segundo turno presidencial.

Por 3 min de leitura

Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo gera debates e críticas
Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo gera debates e críticas

A sabatina do senador Flávio Bolsonaro (PL) conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e exibida ao vivo logo após o Jornal Nacional, tornou-se um dos principais assuntos da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. A conversa seguiu a entrevista concedida pelo presidente e candidato à reeleição Lula (PT), cujas ordens de participação foram definidas por sorteio prévio entre as campanhas.

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro defendeu propostas e respondeu a questionamentos sobre temas econômicos e investigações. Entre as declarações abordadas, o senador afirmou que a dívida do Brasil está em R$ 11 trilhões, dado que coincide com o registro do Banco Central de agosto de 2026, que apontou a Dívida Bruta do Governo em R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB. O candidato também comentou sobre as investigações envolvendo o financiamento da cinebiografia 'Dark horse' e as condenações relativas aos atos de 8 de janeiro.

A condução da sabatina gerou reações no meio artístico. O ator José de Abreu utilizou as redes sociais para criticar duramente a entrevista, argumentando que o político teve liberdade para responder sem um confronto rigoroso a declarações que o artista considerou imprecisas. Abreu também questionou a relação institucional da emissora após um almoço recente entre executivos do grupo de comunicação e o parlamentar.

Em resposta às críticas sobre a independência editorial, a emissora esclareceu que encontros institucionais com candidatos fazem parte da rotina jornalística e ressaltou que nenhuma liderança do jornalismo participou do encontro. A própria sabatina contou com intervenções da jornalista Renata Lo Prete, que cobrou esclarecimentos do candidato sobre afirmações sem comprovação documental.

Nos bastidores da campanha eleitoral, a movimentação política se intensifica. Aliados de Lula apontam que a mudança de postura do presidente em relação à maioridade penal — ao defender a redução de 18 para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos durante sua sabatina — fez parte de uma estratégia para disputar espaço em uma pauta fortemente associada aos concorrentes. A medida, contudo, gerou divisões internas entre apoiadores e setores do Partido dos Trabalhadores.

O impacto desse cenário na preferência do eleitorado começa a ser medido pelo instituto Datafolha, cuja nova pesquisa de campo ocorre entre terça e quinta-feira. O levantamento será o primeiro a capturar a repercussão do debate na Band, das sabatinas de Lula e Flávio Bolsonaro na televisão e da recente aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 pelo Congresso Nacional, em um momento em que as pesquisas apontam acirramento na disputa pela Presidência da República.

Fontes consultadas

Leia também