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Saúde

Sarampo avança nos EUA em meio a negacionismo e acende alerta no Brasil

Mudanças no calendário vacinal norte-americano impulsionadas por discursos governamentais provocam o pior surto da doença no país em mais de três décadas.

Por 2 min de leitura

Sarampo avança nos EUA em meio a negacionismo e acende alerta no Brasil
Sarampo avança nos EUA em meio a negacionismo e acende alerta no Brasil

Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de trinta anos, impulsionados por alterações recentes no calendário vacinal e por discursos contrários à imunização. De acordo com autoridades sanitárias, mais de 4,4 mil casos e três mortes já foram confirmados no país neste ano, sendo que 98% dos infectados não estavam totalmente imunizados.

O cenário internacional tem gerado preocupação em governos de outros países, incluindo o Brasil. Diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti apontou que o governo dos Estados Unidos tem chancelado discursos negacionistas e conta com um secretário de Saúde declaradamente antivacina, o que representa uma ameaça de retrocesso para todo o continente americano.

Apesar da pressão internacional e do registro de 61 casos importados no Brasil neste ano, o território brasileiro mantém a certificação de área livre de transmissão sustentada do sarampo. A conquista do status foi recuperada graças a ações coordenadas entre o Ministério da Saúde, governos estaduais e municípios para elevar as coberturas vacinais da tríplice viral.

Estatísticas oficiais indicam que a cobertura da primeira dose da tríplice viral alcançou 95% no Brasil, enquanto a segunda dose atingiu 80% neste ano. A meta recomendada por especialistas para garantir a imunidade coletiva e proteger populações vulneráveis, como recém-nascidos e indígenas, é de pelo menos 95% de cobertura contínua.

Especialistas alertam que as decisões adotadas pelo governo norte-americano em agosto, como a redução do número de imunizantes recomendados e a tentativa de fracionar a vacina tríplice viral em três doses separadas, carecem de base científica. O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, ressalta que tais medidas geram desconfiança na população e confusão nas famílias.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que os casos de sarampo no continente americano já superam 56 mil registros, acompanhados de pelo menos 80 óbitos. No Brasil, autoridades de saúde mantêm rigorosa vigilância epidemiológica para realizar o isolamento de pacientes suspeitos e o bloqueio vacinal imediato nas comunidades afetadas.

A desinformação propagada nas redes sociais também repercute no Brasil, afetando indiretamente a adesão a outras vacinas essenciais, como a da hepatite B em recém-nascidos. Especialistas reforçam a importância de combater o ceticismo com transparência científica e manter altas taxas de cobertura para evitar o ressurgimento de enfermidades já controladas.

Fontes consultadas

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