Setor da construção civil projeta contratação de 288 mil trabalhadores
A estimativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção ocorre em meio às discussões sobre o impacto da Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada máxima e altera o modelo de descanso.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção estima que o fim da escala tradicional de trabalho exigirá a contratação de aproximadamente 288 mil funcionários adicionais ainda em 2027. O setor aponta que a transição para o novo modelo de jornada exige planejamento para evitar a pressão sobre os custos de produção e o ritmo de execução de obras públicas e privadas.
A projeção da entidade empresarial surge paralelamente ao debate legislativo sobre a Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada máxima de trabalho no país. O texto-base foi aprovado em dois turnos no Senado Federal com ampla maioria, após tramitação que mobilizou parlamentares, sindicatos e representantes de diversos setores produtivos.
A proposta prevê a redução gradual do limite semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, com preferência para o domingo. Na primeira etapa da transição, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais, medida que passará a valer poucos meses após a publicação da emenda constitucional.
Enquanto o debate nacional sobre a jornada ganha força, órgãos de fiscalização trabalhista no país intensificam o cerco a irregularidades em frentes de trabalho. No Piauí, por exemplo, o Ministério Público do Trabalho ajuizou uma ação civil pública contra uma constconstrutora local após constatar jornadas abusivas que chegavam a 15 horas diárias e períodos de até 27 dias consecutivos sem folga.
Segundo os órgãos fiscalizadores, as infrações violam normas básicas de proteção à saúde e à segurança previstas na legislação trabalhista brasileira, como o intervalo mínimo de onze horas consecutivas de descanso entre dois expedientes. Os procuradores solicitaram à Justiça o pagamento de indenização por dano moral coletivo e a imposição de multas em caso de descumprimento das normas.
No âmbito econômico, as entidades ligadas ao setor produtivo divergem sobre os reflexos financeiros da nova jornada. Enquanto associações empresariais apontam possíveis pressões inflacionárias e aumentos na folha de pagamentos, defensores da mudança argumentam que a adaptação ocorrerá de forma gradual e sem prejuízos estruturais duraderos à economia.
Fontes consultadas
- Construtora é alvo de ação por jornadas de até 15 horas e funcionários trabalhando 27 dias sem folga no Piauí - Portal O Dia portalodia.com
- Com fim da 6x1, indústria da construção civil defende período de transição metropoles.com
- Jornada de 40 horas é para todo trabalhador? Folga deve ser no domingo? Entenda extra.globo.com
- Fim da escala 6x1: o que acontecerá se a proposta for aprovada no Senado? epocanegocios.globo.com
- Fim da escala 6x1: Senado decide hoje futuro da PEC | G1 g1.globo.com