Subsídios de ônibus em SP atingem em nove meses previsão para 2026
Gastos da Prefeitura de São Paulo com o transporte público chegam a R$ 6,18 bilhões enquanto número de passageiros e frota diminuem.
Os gastos da Prefeitura de São Paulo com os subsídios pagos às empresas de ônibus municipais alcançaram cerca de R$ 6,18 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, valor que praticamente esgota a estimativa orçamentária prevista para todo o ano de 2026, fixada em pouco mais de R$ 6,22 bilhões. Os dados foram divulgados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e pela SPTrans, estatal que gerencia o sistema de transporte coletivo da capital paulista.
O subsídio público é utilizado para cobrir a diferença entre a arrecadação obtida com o pagamento de tarifas e os custos operacionais do sistema, que incluem despesas com diesel, pneus e mão de obra. A gestão municipal aponta que o repasse também assegura gratuidades, a integração sem custo adicional entre os ônibus e os descontos nas tarifas de trens e metrô. Atualmente, a tarifa básica da passagem de ônibus na cidade custa R$ 5,30, além de contar com gratuidade aos domingos por meio do programa Domingão Tarifa Zero.
Apesar do avanço nos aportes financeiros às empresas concessionárias, o número de usuários do transporte público na capital tem apresentado queda desde o período da pandemia. Em setembro deste ano, foram registrados cerca de 169 milhões de embarques, o que representa uma redução de 10% em comparação com o mesmo mês de 2025 e de 23,6% em relação a 2019. A quantidade de ônibus disponíveis nas ruas também diminuiu, passando de 14 mil unidades em 2019 para 13,8 mil em setembro.
Especialistas em transportes divergem sobre os rumos do modelo atual. Para o mestre em engenharia de transportes Sérgio Ejzenberg, o cenário atual resulta em custos cada vez maiores para um serviço menos utilizado. Por outro lado, a diretora-executiva do ITDP Brasil, Clarisse Cunha Linke, defende que o subsídio não constitui uma distorção, mas sim uma ferramenta de política pública essencial para reduzir congestionamentos e ampliar o acesso da população à cidade.
A discussão sobre a gestão do sistema de transporte também ganhou repercussão durante o segundo turno das eleições presidenciais, quando a Prefeitura de São Paulo adotou medidas para restringir a circulação total da frota de ônibus sob a alegação de evitar gastos desnecessários aos cofres públicos. A decisão gerou divergências com a Justiça Eleitoral, que determinou a operação integral equivalente à de dias úteis.
Enquanto a administração municipal sustentou que a oferta de veículos foi superior à demanda verificada e apontou dificuldades operacionais decorrentes do curto prazo de notificação, passageiros relataram longas esperas e filas em diferentes terminais da cidade, como Varginha e Santana. A prefeitura argumentou que o planejamento original baseou-se em dados de ocupação de domingos anteriores para justificar a manutenção de parte da frota nas garagens.
Fontes consultadas
- Gestão Nunes gasta em nove meses quase todo o previsto para 2026 com subsídios de ônibus - Santa Portal santaportal.com.br
- Eleições 2026: gestão Nunes alega custos para não liberar frota completa de ônibus em SP - BPMoney bpmoney.com.br
- Nunes alegou evitar 'gastos desnecessários' para reduzir ônibus no dia da eleição - ICL Notícias iclnoticias.com.br
- Nunes diz que oferta de ônibus em SP foi 'muito superior' à demanda no dia da eleição; passageiros relatam longas esperas | G1 g1.globo.com