Super El Niño ganha força e gera alertas globais de impactos extremos
Fenômeno climático natural, potencializado pelo aquecimento global, ameaça a segurança alimentar e intensifica riscos de tempestades e secas pelo mundo.
Meteorologistas e agências federais alertam que um evento de El Niño classificado como "muito forte" ou "super" está em desenvolvimento no Oceano Pacífico. O padrão climático natural, que ocorre a cada dois a sete anos devido ao aquecimento de vastas áreas de água na região equatorial leste, já apresenta anomalias recordes para esta época do ano e tem probabilidade superior a 90% de atingir intensidade histórica, com previsões de persistir até o início de 2027.
Especialistas explicam que o fenômeno funciona como uma enorme perturbação no sistema terrestre, redistribuindo calor do oceano para a atmosfera e alterando os padrões globais de precipitação e temperatura. Com o planeta já apresentando temperaturas mais elevadas decorrentes das emissões de combustíveis fósseis, a combinação entre o aquecimento de longo prazo e a intensidade atual do El Niño eleva o risco de que novos recordes globais de calor sejam registrados nos próximos anos.
Os reflexos no clima variam consideravelmente entre as regiões. Enquanto estados do sul dos Estados Unidos e partes da Califórnia preveem invernos mais chuvosos e riscos aumentados de inundações, erosão costeira e deslizamentos de terra, áreas do norte norte-americano e o interior montanhoso enfrentam condições mais secas e quentes que podem agravar secas locais. Na bacia do Atlântico, os ventos de cisalhamento gerados pelo fenômeno inibiram a formação de furacões, enquanto o Pacífico registrou tempestades e furacões intensificados.
Globalmente, as consequências podem ser severas para a agricultura e a segurança alimentar. O Programa Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas estima que o fenômeno pode empurrar pelo menos 49 milhões de pessoas adicionais para a insegurança alimentar aguda até o final de 2027. Regiões como a Indonésia registraram aumento drástico em incêndios florestais, e países africanos como Etiópia, Sudão do Sul, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe enfrentam quebras de safra e níveis críticos de chuvas.
No setor de pesca e ecossistemas marinhos, cientistas monitoram o impacto das águas aquecidas. Peixes de águas quentes já deslocaram suas faixas de distribuição para latitudes mais altas, e espécies como o salmão do Oregon enfrentam riscos em diferentes estágios de seu ciclo de vida devido à redução da ressurgência de águas profundas e ricas em nutrientes.
Diante dos riscos, autoridades locais em regiões vulneráveis já adotam medidas preventivas. Em Los Angeles, a administração municipal iniciou ações de limpeza de bacias de drenagem, reforço de encostas e barreiras contra erosão para mitigar potenciais impactos de tempestades e fluxos de detritos em áreas afetadas por incêndios recentes.
Especialistas ressaltam, contudo, que embora as tendências sazonais possam ser previstas com antecedência devido à lentidão com que a temperatura oceânica muda, o comportamento exato de cada evento reserva incertezas. O fenômeno altera as probabilidades climáticas globais, mas os efeitos locais finais continuam sujeitos a variações naturais e aos impactos contínuos das mudanças climáticas de longo prazo.
Fontes consultadas
- 'Super' El Niño may affect Oregon salmon katu.com
- Super El Niño is here. What's so super about it? npr.org
- 49 million at risk of hunger as super El Niño strengthens rollingout.com
- El Niño hype is loud. The numbers back it up, but here’s what they really mean yahoo.com
- Mayor Karen Bass Details City's El Niño Preparations - MyNewsLA.com mynewsla.com