Temporal deixa estragos e Copel enfrenta cobranças no Paraná
Queda de postes e falta de energia após tempestades mobilizam forças de segurança e geram reclamações de produtores rurais.
Moradores e produtores rurais de municípios do Paraná enfrentam dias de interrupção no fornecimento de energia elétrica após uma sequência de fortes temporais que atingiram o estado recentemente. Em Apucarana, no Norte paranaense, a Companhia Paranaense de Energia informou que 149 postes foram danificados após ventos que chegaram a quase 125 quilômetros por hora, chuva forte e granizo na noite de uma segunda-feira. No pico da ocorrência, a cidade registrou cerca de 43 mil imóveis sem eletricidade.
Para tentar normalizar a situação, a operação de recuperação contou com o apoio de veículos blindados modelo Guarani do Exército Brasileiro, utilizados para o transporte de postes e acesso a endereços de difícil circulação na zona rural. Os trabalhos na região também envolveram equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e guardas municipais de cidades vizinhas para auxiliar as cerca de três mil famílias afetadas.
A gravidade da situação motivou cobranças diretas de produtores rurais da região Noroeste do estado. Em uma reunião realizada em Umuarama, pecuaristas e avicultores relataram prejuízos na produção, danos a equipamentos e gastos extras com combustíveis para manter geradores em funcionamento. Representantes do Sindicato Rural de Umuarama participaram do encontro e alertaram que a entidade poderá recorrer à Justiça caso os problemas de abastecimento não sejam sanados com rapidez.
Durante o encontro com os produtores, representantes da concessionária reconheceram que a sequência de eventos climáticos consecutivos sobrecarregou as equipes e dificultou a recuperação total da rede. A empresa informou a criação de um canal de comunicação direto para centralizar o atendimento aos casos pendentes e orientou os consumidores a manterem os protocolos atualizados nos canais oficiais.
Em paralelo aos desafios operacionais decorrentes das intempéries, o modelo de atuação e o futuro do setor elétrico têm gerado debates no cenário político e econômico estadual. Críticos da gestão atual e representantes do setor discutem os rumos dos serviços de distribuição de energia e a abertura do mercado livre, enquanto consumidores avaliam o peso de encargos e subsídios na composição final das tarifas de luz.
Especialistas e executivos do setor apontam que a expansão gradual do ambiente de livre contratação pode exigir cautela de consumidores residenciais e comerciais. Segundo avaliações do setor, o volume expressivo de encargos e subsídios embutidos nas tarifas pode limitar as vantagens econômicas esperadas na migração de mercado, tornando essencial uma revisão profunda nas diretrizes de investimentos em infraestrutura elétrica no país.
Fontes consultadas
- Produtores rurais cobram a Copel e Sindicato ameaça ir à Justiça por falta de energia obemdito.com.br
- Incêndio atinge estrutura dentro do Bosque da Copel nesta quinta-feira (24) cbncuritiba.com.br
- Requião Filho critica pedágio, promete retomar controle da Copel e aponta ferrovias como prioridade para Cascavel cgn.inf.br
- Abertura do mercado livre de energia pode frustrar consumidor, avalia Copel | CNN Brasil cnnbrasil.com.br
- Blindados do Exército são usados para transporte de postes de energia em cidade do Paraná atingida por temporal | G1 g1.globo.com