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Política

Tiririca fica fora da Câmara dos Deputados após 16 anos

Humorista recebeu pouco mais de 5 mil votos e não conseguiu se eleger pelo Ceará nas eleições deste domingo.

Por 3 min de leitura

Tiririca fica fora da Câmara dos Deputados após 16 anos
Tiririca fica fora da Câmara dos Deputados após 16 anos

O humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido nacionalmente como Tiririca (PSD), ficou de fora da Câmara dos Deputados nas eleições realizadas neste domingo (4). Após exercer quatro mandatos consecutivos como deputado federal por São Paulo, o candidato transferiu seu domicílio eleitoral para o Ceará e tentou conquistar uma vaga representando seu estado natal, mas obteve pouco mais de 5 mil votos, encerrando uma sequência de 16 anos no Legislativo federal.

A votação expressiva que marcou a estreia de Tiririca na política em 2010, quando alcançou mais de 1 milhão de votos e tornou-se um fenômeno eleitoral com o slogan "Pior que tá, não fica", deu lugar a uma retração gradual no apoio popular ao longo dos anos. Analistas apontam que suas campanhas seguintes registraram números menores de sufrágios, culminando na marca de pouco mais de 71 mil votos obtidos em 2022 em São Paulo, antes da mudança de base eleitoral para o território cearense.

A transição para o Ceará e a filiação ao Partido Social Democrático (PSD), efetivada no final do ano passado após sua saída do PL, não foram suficientes para reverter a queda no desempenho nas urnas. Dependendo da totalização exata e das regras locais de apuração, fontes divergem se o candidato terminou a disputa sem vaga alguma ou na condição de suplente, mas o resultado confirmou a perda da cadeira de deputado que ocupava ininterruptamente desde 2010.

Ao longo de sua trajetória parlamentar em Brasília, Tiririca destacou-se pela assiduidade nas sessões da Câmara entre 2011 e 2022, período em que apresentou projetos voltados principalmente para a valorização das artes circenses, obtendo a aprovação de uma proposta que incluiu o circo no âmbito da Lei Rouanet em 2017. Por outro lado, sua carreira pública também esteve associada a controvérsias e acusações de assédio e importunação sexual em anos recentes, episódios negados por sua defesa e que não resultaram em condenações judiciais.

O revés eleitoral do humorista ocorreu em um pleito que também deixou outros rostos conhecidos do público fora dos cargos disputados. Nomes da televisão, da música e do esporte que tentaram migrar para a política em diferentes estados enfrentaram dificuldades nas urnas, refletindo a volatilidade do apoio popular a figuras midiáticas.

Em São Paulo, figuras como o apresentador José Luiz Datena (PSB), a jornalista Rachel Sheherazade (PSD) e a apresentadora Silvia Abravanel (PSD) não alcançaram votos suficientes para garantir cadeiras na Câmara dos Deputados. Outros nomes como o cantor Manoel Gomes, conhecido como Caneta Azul (Avante), o ex-jogador Luís Fabiano (MDB) e o cantor MC Gui (PSD) também ficaram pelo caminho.

Por outro lado, algumas personalidades conseguiram transformar a visibilidade em mandatos. Thammy Miranda (PSD) foi eleito deputado estadual por São Paulo, enquanto o ex-goleiro Danrlei (PSD) garantiu a reeleição como deputado federal pelo Rio Grande do Sul e a influenciadora Ana Elisa (PT) conquistou uma vaga expressiva pela bancada de Minas Gerais.

Com o encerramento da apuração, o cenário político brasileiro para a próxima legislatura passa a contar com novas configurações nas bancadas estaduais e federal, marcando a saída de figuras tradicionais dos últimos pleitos e a renovação de cadeiras por novos representantes.

Fontes consultadas

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