Tragédia do Bateau Mouche virará filme de ficção
Naufrágio ocorrido na virada de ano de 1988 na Baía de Guanabara, que causou 55 mortes, será adaptado para as telas em nova produção.
A emblemática tragédia do Bateau Mouche, naufrágio que resultou na morte de 55 pessoas na Baía de Guanabara na virada de ano de 1988 para 1989, será tema de um novo filme de ficção. O projeto cinematográfico é dirigido por Felipe Vellas, com roteiro assinado por Gustavo Lipsztein e produção conduzida pela Boutique Filmes em parceria com a Anonymous Content Brazil.
Na noite de 31 de dezembro de 1988, dezenas de passageiros embarcaram em busca de um ponto privilegiado para assistir à tradicional queima de fogos de Copacabana. Horas mais tarde, a embarcação afundou entre a Ilha de Cotunduba e o Morro da Urca, vitimando 55 pessoas, incluindo nomes conhecidos do cenário artístico nacional, como a atriz Yara Amaral e sua mãe, Elisa Gomes.
A nova produção pretende resgatar as múltiplas perspectivas daquela madrugada caótica, focando nas vivências de vítimas, familiares, tripulantes e daqueles que atuaram diretamente nos resgates. Pescadores e ocupantes de outras embarcações presentes na baía tiveram papéis fundamentais no salvamento dos sobreviventes em meio ao desastre.
O diretor Felipe Vellas destacou a relevância de revisitar o episódio e dar voz a quem sofreu as consequências diretas do acidente. Segundo o cineasta, o caso carrega inúmeras histórias de anônimos e famosos que ainda não foram totalmente compreendidas, mantendo desdobramentos que se estendem por mais de três décadas.
O desastre expôs falhas estruturais graves, excesso de lotação, modificações irregulares na estrutura do piso e condições precárias de navegabilidade. O caso gerou intensas discussões sobre negligência e se tornou um símbolo de morosidade judicial e impunidade, visto que os responsáveis não chegaram a cumprir pena em regime fechado.
A equipe criativa por trás do longa busca repetir o sucesso recente de produções anteriores em parceria com a Netflix. Até o momento, os realizadores não divulgaram informações oficiais a respeito do elenco escolhido, das datas programadas para o início das filmagens ou da previsão de estreia nos cinemas e plataformas.
A repercussão histórica do naufrágio também ganhou espaço recente em outras plataformas de conteúdo, como na série documental Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça, veiculada pela plataforma Max. Com o novo filme, a proposta é misturar reconstituição histórica e narrativa dramática para lançar luz sobre as irresponsabilidades que marcaram o caso.