Ucrânia acusa EUA de favorecer a Rússia em meio a ataques e restrições no Starlink
Governo ucraniano denuncia falta de alertas de mísseis e limitações no sistema de comunicação enquanto enfrenta nova onda de bombardeios russos.
A Ucrânia acusou formalmente os Estados Unidos de favorecerem a Rússia ao não emitirem alertas sobre a aproximação de mísseis e por imporem limitações ao sistema de satélites Starlink, utilizado pelas forças ucranianas. A denúncia ocorreu nesta quarta-feira (14), em meio a uma nova e intensa onda de bombardeios russos contra a infraestrutura energética ucraniana, que deixou ao menos 15 mortos no total acumulado dos ataques e centenas de milhares de pessoas sem eletricidade.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou em entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan que a falha no funcionamento do Starlink pode causar mortes caso o serviço não seja restabelecido plenamente. O Ministério da Defesa da Ucrânia relatou que os terminais sofreram restrições operacionais não anunciadas, limitando a velocidade de conexão a 160 km/h e prejudicando a interceptação de drones russos a jato na linha de frente.
O bilionário Elon Musk, dono da SpaceX, declarou por meio de sua rede social que qualquer alteração de desempenho na rede militar Starshield decorre exclusivamente de decisões do governo dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump. De acordo com fontes de defesa ucranianas, a restrição técnica dificulta a defesa aérea de Kiev justamente quando Moscou intensifica suas ofensivas.
Além das queixas sobre a tecnologia de comunicação, o governo ucraniano apontou a ausência de avisos prévios por parte de aliados ocidentais antes dos ataques com mísseis balísticos que atingiram usinas termelétricas e prédios residenciais em Kiev e em outras regiões. Um alto funcionário em Kiev relatou que os Estados Unidos teriam ameaçado interromper o compartilhamento de informações de inteligência caso a Ucrânia mantivesse os ataques contra refinarias russas.
As tensões diplomáticas ocorrem em um cenário de atrito entre Zelensky e Donald Trump, que recentemente anunciou um cessar-fogo energético entre Moscou e Kiev, além de um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia. Zelensky declarou sentir-se traído pelas medidas e afirmou que a Rússia demonstrou um desrespeito ostensivo à trégua promovida por Washington, desferindo ataques maciços com centenas de drones e mísseis.
Por outro lado, o Kremlin negou irregularidades e afirmou acompanhar de perto qualquer mudança no apoio de Washington a Kiev. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ter alvejado instalações de energia e comunicação na Ucrânia, ao mesmo tempo em que acusou o governo ucraniano de violar o cessar-fogo ao atingir refinarias em território russo, incluindo uma instalação na região de Ryazan, gerando novos incêndios e danos materiais avaliados pelas autoridades locais.