Universidade em SP expulsa alunos por ranking sexual com fotos de estudantes
Instituição concluiu sindicância interna nesta quinta-feira (15) e aplicou penalidades que variam de suspensão à expulsão dos envolvidos.
A Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) concluiu nesta quinta-feira (15) a apuração interna referente a um "ranking" sexual criado com fotos de alunas do curso de Psicologia em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. A investigação resultou em sanções administrativas aplicadas de acordo com o grau de responsabilidade de cada aluno, com penalidades que foram desde a suspensão até a expulsão definitiva dos envolvidos.
O caso veio à tona em 20 de agosto, quando as próprias acadêmicas denunciaram o esquema criminoso. As estudantes descobriram que suas imagens, retiradas sem autorização de redes sociais, circulavam em um grupo fechado de um aplicativo de mensagens. O material era acompanhado por comentários de teor sexual depreciativo, ofensas e classificações pejorativas.
No ambiente virtual, os participantes do grupo trocavam mensagens avaliando as jovens e proferindo frases desrespeitosas. Diante da repercussão do vazamento, o episódio foi formalmente registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e passou a ser investigado pela Polícia Civil, que chegou a cumprir um mandado de busca e apreensão contra um dos suspeitos.
O escândalo gerou forte comoção e revolta na comunidade acadêmica, motivando protestos com cartazes e faixas em frente ao campus universitário, localizado às margens da Rodovia Raposo Tavares. O coletivo "Frente pela Vida das Mulheres" manifestou indignação por meio de uma nota de repúdio, na qual classificou o episódio como um ato de misoginia organizada.
Uma das vítimas relatou o impacto psicológico da exposição indesejada, afirmando que se sentiu completamente desamparada ao descobrir a situação de forma isolada. Em depoimento à imprensa, a universitária definiu a conduta dos colegas como algo esdrúxulo e nojento.
A instituição de ensino informou que o processo administrativo disciplinar foi conduzido por uma comissão designada para analisar individualmente as condutas e respeitar o direito de defesa dos investigados. Embora a Unoeste não tenha divulgado o número exato de estudantes punidos, a entidade reforçou que adotou todas as medidas cabíveis desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos.
Em nota oficial, a universidade declarou que continuará desenvolvendo iniciativas voltadas à orientação, prevenção e acolhimento. O objetivo da administração é restabelecer e assegurar um ambiente acadêmico pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela segurança de toda a comunidade escolar.
Paralelamente às punições internas aplicadas pela instituição de ensino, a investigação policial segue em andamento para apurar eventuais crimes. Até o momento, 44 vítimas foram identificadas pelas autoridades, sendo que 24 já prestaram depoimento, 11 aguardam a realização de oitivas agendadas e nove dependem do cumprimento de cartas precatórias.