Ursinho Pooh celebra seu centenário e marca gerações na literatura e cultura pop
Personagem criado por A. A. Milne completa 100 anos com histórico de sucesso literário, adaptações da Disney e curiosidades na política e no cinema.
O Ursinho Pooh completa 100 anos nesta quarta-feira (14), marcando um século de sua estreia oficial na literatura infantil. Criado pelo escritor britânico A. A. Milne, o personagem teve sua primeira aparição em livro no dia 14 de outubro de 1926, com ilustrações clássicas de Ernest Howard Shepard. A inspiração para as histórias veio dos brinquedos de pelúcia de Christopher Robin, filho do autor, que também inspirou o menino presente nas narrativas do Bosque dos Cem Acres.
As histórias de Pooh conquistaram leitores ao redor do mundo com enredos simples centrados no afeto, na imaginação e no companheirismo. Ao lado de amigos como Leitão, Tigrão, Bisonho e Coruja, o urso aficionado por mel tornou-se um símbolo de conforto e nostalgia. Antes do livro de 1926, o personagem já havia aparecido em publicações anteriores de Milne, integrando uma obra que incluiu quatro volumes voltados ao universo do ursinho e de seus companheiros.
A trajetória do personagem ganhou dimensão global após a aquisição dos direitos pela Disney em 1961. O primeiro curta-metragem animado estreou em 1966, consolidando a imagem do urso amarelo de camisa vermelha que viria a estampar filmes, séries, brinquedos e atrações em parques temáticos. O animador Mark Henn, que trabalhou no longa de 2011, destacou à agência AFP que a tranquilidade e a calma do personagem continuam a atrair o público intergeracional.
Para celebrar o centenário ao longo de 2026, a Disney preparou uma programação especial com lançamentos editoriais, produtos temáticos e novas ilustrações. No Reino Unido, os Correios britânicos, Royal Mail, lançaram uma coleção especial de selos comemorativos que reúnem artes originais de Shepard e as versões popularizadas pelos estúdios de animação.
Além do impacto positivo na infância de milhões de pessoas, o Ursinho Pooh acumulou passagens curiosas e inusitadas pela política e pela cultura pop ao longo das décadas. Em 1972, a Disneylândia organizou um desfile em que o urso concorreu de forma lúdica à presidência dos Estados Unidos, servindo como alternativa alegre à disputa eleitoral entre Richard Nixon e George McGovern.
Em anos mais recentes, o personagem esteve no centro de controvérsias políticas e artísticas. Na China, censores do Partido Comunista atuaram para bloquear referências ao urso após críticos apontarem semelhanças físicas entre o animal e o líder chinês Xi Jinping. Já nos Estados Unidos, após a expiração dos direitos autorais em 2023, a imagem de Pooh foi utilizada em panfletos de segurança escolar no Texas com orientações sobre como agir em casos de ataques a tiros.
O ano de 2023 também marcou uma guinada sombria para o icônico morador do Bosque dos Cem Acres com o lançamento de "Ursinho Pooh: Sangue e Mel". O filme de terror de baixo orçamento transformou o clássico personagem em um vilão armado com uma faca, surpreendendo a indústria cinematográfica ao recuperar rapidamente seus custos de produção nas bilheterias mundiais.
Aos 100 anos, o Ursinho Pooh permanece vivo no imaginário popular, transitando entre a inocência das histórias infantis originais e os desdobramentos inesperados da cultura moderna. Seja por meio de potes de mel, reflexões simples sobre a vida ou adaptações inusitadas, o personagem segue atemporal.