Vale (VALE3) enfrenta pressões operacionais e redução de exposição pelo Morgan Stanley
Relatórios de grandes bancos apontam desafios nos custos e preços de commodities para a mineradora, enquanto o Morgan Stanley reduziu sua fatia na companhia.
A mineradora Vale (VALE3) tem lidado com um cenário desafiador marcado por pressões nos preços do minério de ferro e do níquel, além de revisões em suas recomendações por instituições financeiras internacionais. O Citi projeta que o Ebitda ajustado da companhia no terceiro trimestre registre quedas significativas tanto na comparação trimestral quanto na anual, reflexo direto da desvalorização das commodities e de custos logísticos mais elevados.
Segundo as projeções divulgadas pelo Citi, a mineradora caminha para encerrar 2026 próxima ao limite inferior de sua faixa de projeção de produção de minério de ferro, situada entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas. Para alcançar o piso dessa meta, a companhia precisará acelerar o ritmo operacional ao longo do quarto trimestre.
Na frente operacional, o banco aponta dificuldades no sistema de Carajás, em um cenário que ainda carece de atualizações sobre a legislação de cavernas, além de uma recuperação mais lenta do que o esperado nas operações do sistema Sul. Os custos de entrega também pesam devido à alta nos preços do petróleo, que encarece o frete marítimo, embora a empresa mantenha proteções parciais contra essas oscilações.
Por outro lado, o segmento de cobre tem funcionado como um contraponto positivo, impulsionado por preços internacionais mais elevados que ajudam a compensar paradas para manutenções programadas. Já o níquel apresenta perspectivas de rentabilidade reduzida no período, com margens comprimidas apesar do avanço nos volumes comercializados.
Em paralelo, o BTG Pactual destacou em relatório que a Vale avalia que mais de 120 milhões de toneladas anuais da produção global de minério de ferro já operam de forma antieconômica diante das condições atuais de mercado. Esse volume pode se expandir caso o preço da commodity sofra novas quedas. Apesar do ambiente adverso, a estratégia de frete da Vale baseada em contratos de longo prazo é apontada como uma vantagem competitiva relevante frente a produtores menores.
No âmbito institucional, o Morgan Stanley reduziu recentemente sua exposição à Vale em suas carteiras modelo, priorizando empresas com maior foco na economia doméstica em detrimento de exportadoras de commodities. A decisão ocorre em meio a uma reavaliação geral do mercado acionário brasileiro após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Apesar das pressões de curto prazo e da redução de posições por parte de alguns analistas, o Citi e o BTG Pactual mantêm recomendação de compra para os papéis da mineradora. A divulgação oficial dos resultados financeiros e operacionais do trimestre está agendada para o dia 29 de outubro.
Fontes consultadas
- Vale (VALE3) sob pressão: Citi diz o que está no caminho da mineradora; saiba o que fazer com a ação agora seudinheiro.com
- Vale vê mais de 120 milhões de toneladas de minério de ferro já antieconômicas, diz BTG euqueroinvestir.com
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