A ascensão e a queda de Greg Glassman, fundador do império CrossFit
Livro recém-lançado detalha a trajetória do empresário, marcada por inovação no fitness, festas luxuosas e polêmicas que resultaram na venda da marca.
A trajetória de Greg Glassman, criador do popular método de condicionamento físico CrossFit, é o tema central de um novo livro lançado em outubro de 2024. Intitulado "The Glass Box: The Shocking True Story of How CrossFit Broke the Rules, Made Millions, and Changed Fitness Forever", escrito por Calum Marsh, a obra expõe os bastidores da ascensão de um ex-treinador sem recursos financeiros até a consolidação de um império multibilionário, além de relatar os excessos que culminaram em sua derrocada e saída da empresa.
Nos anos 1990, Glassman chegou a Santa Cruz, na Califórnia, sem carro ou casa própria, dividindo um quarto com o filho pequeno. Com uma abordagem de treino intensa e pouco convencional, ele combinou levantamento de peso, ginástica e exercícios cronometrados de alta intensidade. O sistema atraiu praticantes e gerou resultados rápidos, impulsionando a abertura da primeira academia oficial de CrossFit em 2001 ao lado de Lauren Jenai, com quem foi casado. A publicação de treinos diários na internet expandiu o alcance global da marca, resultando em milhares de afiliadas e no surgimento do CrossFit Games em 2007.
Contudo, à medida que o negócio prosperava, alcançando uma receita anual estimada em US$ 100 milhões, o comportamento de Glassman e o estilo de gestão geraram controvérsias crescentes. O livro aponta que o casamento com Jenai ruiu em meio a desentendimentos e infidelidades, culminando em uma batalha jurídica pelo controle da companhia em 2012, quando Glassman adquiriu a metade da ex-esposa para se tornar o único proprietário. O divórcio foi finalizado no ano seguinte.
Com o controle absoluto, os gastos da empresa e o estilo de vida do fundador chamaram a atenção da diretoria. Relatos indicam despesas extravagantes, incluindo viagens de jatinho particular desviadas para refeições rápidas e faturas mensais de telefonia corporativa que se aproximavam de US$ 200 mil. A gestão também lidava com uma cultura interna marcada por casos extraconjugais e festas intensas, criticada por ex-funcionários por gerar desconforto no ambiente profissional.
Apesar das críticas internas sobre os gastos, que Glassman justificava por ser o único dono do negócio, o ponto de inflexão definitivo ocorreu em junho de 2020. Após responder a uma publicação sobre racismo nas redes sociais com um comentário associando o ativismo a uma sigla de COVID-19, o empresário enfrentou forte boicote da comunidade fitness. Marcas parceiras como a Reebok encerraram acordos e mais de mil academias retiraram o nome CrossFit de suas fachadas.
Diante da enorme repercussão negativa e de denúncias públicas de comportamento inadequado por parte de funcionários, Glassman renunciou ao cargo de CEO em junho de 2020. No final daquele ano, ele vendeu a empresa para o empreendedor Eric Roza e para a firma de investimentos Berkshire Partners em um negócio avaliado em US$ 200 milhões. Atualmente, embora a rede de academias afiliadas tenha se reduzido, a metodologia de alta intensidade continua a influenciar o mercado global de preparação física.
Fontes consultadas
- From broke fitness trainer to $200 million buyout: The rise and fall of CrossFit founder Greg Glassman hindustantimes.com
- Cocaine, affairs, $200K phone bills and private jet fast food detours: The rise and fall of CrossFit’s cult-like founder nypost.com
- Journalist Calum Marsh discusses his new book, 'The Glass Box' news.wjct.org
- A queda do criador do crossfit: cocaína, casos extraconjugais, conta de telefone de US$ 200 mil e desvio de jatinho particular para buscar fast-food extra.globo.com
- Behind The Black Box Summit: The Event That Foreshadowed CrossFit’s Explosive Future menshealth.com