Advogado é preso em SP após jogar notebook e celular pela janela
Ação ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão por suspeita de fraude em ações contra bancos.
O advogado Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira (20), em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, sob a suspeita de obstrução da Justiça. De acordo com a Polícia Militar, o profissional teria arremessado um notebook e um celular pela janela do apartamento onde mora com a família, no momento em que equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia chegavam ao local para cumprir um mandado de busca e apreensão.
A ordem judicial contra o advogado faz parte de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. O órgão apura a existência de um suposto esquema voltado ao ajuizamento em massa de ações judiciais contra instituições financeiras, com foco na obtenção de valores principalmente de clientes em situação de vulnerabilidade, a exemplo de aposentados e pensionistas.
Conforme relatos da corporação policial, a esposa do investigado tentou ludibriar as equipes ao alegar que ele não estava presente na residência, período em que os aparelhos eletrônicos foram jogados para o lado de fora. A ação foi percebida pelos policiais e os equipamentos acabaram recuperados. Um registro em vídeo mostra o momento em que um agente precisou subir na cobertura de vidro da piscina do condomínio, localizado no bairro Jardim Irajá, para resgatar o notebook.
Apesar de o mandado inicial prever apenas buscas e apreensões, a atitude resultou na prisão em flagrante por obstrução da Justiça. Além do imóvel residencial, as autoridades também realizaram diligências em um endereço utilizado pelo investigado para atendimentos profissionais. A expectativa é de que ele passe por audiência de custódia nesta quarta-feira.
A defesa do advogado, representada pelo defensor Júlio Mossin, declarou que o cliente atuava no exercício da advocacia e negou a prática de fraudes. A respeito do arremesso dos dispositivos, a defesa argumentou que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, pontuando que o ato, caso confirmado, estaria albergado pelo direito constitucional de não autoincriminação, embora tenha ressalvado que o cliente não assumiu o ato.
A operação que resultou na prisão integra uma investida mais ampla do Ministério Público e das forças de segurança estaduais, que cumpriram ao todo onze mandados de busca e apreensão em cidades como Franca, Ribeirão Preto e Altinópolis. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de mais de seis milhões de reais, somando os montantes estipulados em duas operações distintas e independentes.
As investigações apontam indícios de uma estrutura organizada que atuava simultaneamente na captação de idosos para propor milhares de ações em massa e no uso de mecanismos processuais para concentrar o controle dos créditos obtidos. O Tribunal de Justiça paulista mapeou um volume expressivo de processos ajuizados pelos grupos envolvidos, levantando apurações sobre o uso de procurações antigas ou genéricas e a retenção de valores que deveriam ser repassados aos clientes.
Fontes consultadas
- Advogado preso em Ribeirão Preto jogou notebook pela janela, diz PM | G1 g1.globo.com
- Advogado é preso após jogar notebook e celular pela janela durante operação policial | Atlântida atl.clicrbs.com.br
- MidiaNews | Advogado preso em operação em SP é suspeito de jogar notebook pela janela; veja midianews.com.br