Operação policial mira advogada e PM suspeitos de ligação com facção
Ação do Ministério Público em Mato Grosso do Sul cumpre mandados de prisão e busca contra casal suspeito de integrar o Primeiro Comando da Capital.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, deflagrou nesta quinta-feira a Operação Consorte. A ação policial, que constitui a terceira fase da Operação Courrier, tem como objetivo o cumprimento de dois mandados de prisão e três mandados de busca e apreensão em andamento nas cidades de Campo Grande e Dourados.
Os alvos centrais desta nova etapa das investigações são uma advogada e um policial militar, que são casados e apontados pelas autoridades como suspeitos de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital. A operação contou com o apoio logístico e institucional da Corregedoria da Polícia Militar do estado e também de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil.
Segundo os apontamentos do Ministério Público, o casal atuava em conjunto no âmbito da organização criminosa, integrando o núcleo conhecido como Sintonia dos Gravatas. Nesse esquema ilícito, a profissional do direito utilizava de forma indevida e criminosa as prerrogativas de sua profissão para transacionar recados, ordens e mensagens entre lideranças da facção que se encontram presas e outros membros que atuam nas ruas.
De acordo com as apurações conduzidas pelas equipes especializadas, a participação do policial militar consistia no uso de suas credenciais funcionais e acesso privilegiado. O agente público obtinha dados confidenciais em sistemas restritos da segurança pública do estado e repassava essas informações sigilosas para a sua esposa, que posteriormente encaminhava os dados para os demais integrantes do grupo criminoso.
As investigações detalham que as condutas sob suspeita configuram crimes graves, incluindo a formação de organização criminosa, prática de corrupção e violação de sigilo funcional. Os nomes dos investigados, bem como os endereços específicos onde as ordens judiciais foram cumpridas durante as diligências, não foram divulgados pelas autoridades competentes.
A escolha do termo Consorte para batizar esta fase da operação policial faz alusão direta ao vínculo matrimonial entre os investigados e à divisão de tarefas na suposta parceria criminosa identificada pelos órgãos de persecução penal. As diligências seguem em andamento enquanto o material apreendido é analisado para aprofundar o conhecimento sobre a rede de atuação da facção na região.