Ajuste fiscal e crise no Chile elevam desemprego a nível recorde
País enfrenta forte retração econômica, inflação impulsionada por combustíveis e forte queda na produção de cobre nos primeiros meses da gestão do presidente José Antonio Kast.
A economia do Chile registra indicadores negativos sete meses após a chegada do presidente José Antonio Kast ao poder, marcada por um rigoroso plano de austeridade fiscal e pelo desemprego recorde de 9,6%, o maior patamar em mais de cinco anos. O Produto Interno Bruto chileno recuou 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior, configurando a maior retração econômica do país desde a pandemia de covid-19.
O cenário de aperto nas contas públicas inclui cortes de 3% no orçamento dos ministérios, redução de investimentos diretos e diminuição de gastos estatais. Especialistas apontam que a restrição fiscal contribui para desaquecer a demanda interna e frear a atividade econômica. Como reflexo da deterioração dos indicadores sociais e econômicos, a taxa de desaprovação ao governo ultrapassou 60%, segundo pesquisas locais.
A situação econômica agravou-se com o encarecimento dos combustíveis após o início da guerra no Irã. O governo decidiu não intervir para conter a alta do petróleo no mercado interno, priorizando a meta de controle do déficit fiscal. A medida, conhecida localmente como bencinazo, provocou protestos e elevou o preço da gasolina em cerca de 30% e o do diesel em mais de 40% na Região Metropolitana de Santiago, impulsionando a inflação anual para 4,1% em julho.
Paralelamente, o setor de mineração, principal motor das exportações do país, sofreu uma retração drástica. Em agosto, a produção de cobre registrou queda anual de 17,4%, atingindo seu nível mais baixo em três décadas devido a interrupções operacionais, condições climáticas adversas e ao esgotamento gradual das jazidas. A crise no setor levou o Banco Central chileno a reduzir sua projeção de crescimento para o ano para uma faixa entre 0,25% e 0,75%, enquanto o Fundo Monetário Internacional estimou expansão de 0,6%.
Diante da forte pressão popular e do agravamento do mercado de trabalho, a administração federal anunciou recentemente um plano de aproximadamente US$ 1,3 bilhão para estimular a criação de mais de 100 mil vagas por meio de obras públicas e subsídios. Além disso, o Congresso aprovou uma reforma tributária que reduz gradualmente os impostos corporativos de 27% para cerca de 23% e oferece garantias de estabilidade fiscal para grandes investimentos.
Analistas econômicos avaliam que, caso os preços globais da energia registrem trégua e a atividade mineradora volte a se expandir, o país poderá iniciar uma trajetória de recuperação no próximo ano. Até lá, o governo busca equilibrar a agenda de austeridade fiscal com a necessidade de conter o desemprego e recuperar o poder de compra da população.
Fontes consultadas
- Ajuste fiscal no Chile: por que medidas do novo presidente levaram a crise com desemprego recorde - BBC News Brasil bbc.com
- Economia do Chile afunda sob Kast, com desemprego recorde e inflação diariodocentrodomundo.com.br
- Em 7 meses de governo no Chile, rejeição a Kast vai a 65% valor.globo.com
- Economistas analisam como ajuste fiscal impacta os MEIs oglobo.globo.com
- Cobre em alta encobre crise da mineração no Chile istoedinheiro.com.br