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Alemanha inicia julgamento histórico sobre sabotagem no Nord Stream

Ex-militar ucraniano é julgado em Hamburgo pelas explosões que danificaram os gasodutos no Mar Báltico em 2022.

Por 3 min de leitura

Alemanha inicia julgamento histórico sobre sabotagem no Nord Stream
Alemanha inicia julgamento histórico sobre sabotagem no Nord Stream

O Tribunal Regional Superior Hanseático de Hamburgo, na Alemanha, iniciou nesta quarta-feira (14) o julgamento de Sergiy Kuznietsov, um ex-oficial das Forças Armadas ucranianas acusado de liderar a sabotagem contra os gasodutos Nord Stream 1 e 2. O caso marca a primeira vez que um suspeito vai a julgamento pelas explosões ocorridas em setembro de 2022 no Mar Báltico, que danificaram severamente as infraestruturas energéticas que ligavam a Rússia ao território alemão.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público alemão, o réu de 50 anos teria elaborado e executado um plano a pedido de autoridades estatais ucranianas. A acusação sustenta que o ex-comandante liderou um grupo de sete pessoas, incluindo mergulhadores profissionais e um especialista em explosivos, que alugou um veleiro com documentos falsificados e instalou cargas explosivas nas proximidades da ilha dinamarquesa de Bornholm.

O promotor Stefan Schmidt afirmou durante a leitura da denúncia que o réu cometeu um crime de guerra ao atacar infraestruturas civis utilizando meios militares. O processo tramita sob fortes medidas de segurança e tem audiências programadas para se estenderem até o início de fevereiro, podendo resultar em vários anos de prisão caso o suspeito seja considerado culpado.

A defesa do ex-militar argumenta que ele atua com restrições severas devido ao dever de confidencialidade como ex-oficial e estuda centrar sua estratégia na discussão sobre se os gasodutos representavam alvos militares legítimos no contexto da invasão russa à Ucrânia. Além disso, advogados apontam riscos à segurança do acusado, que pode ser alvo dos serviços de inteligência de Moscou.

No momento das explosões, ocorridas em 26 de setembro de 2022, os gasodutos não operavam com capacidade máxima ou estavam desativados. Moscou já havia interrompido o fluxo de gás pelo Nord Stream 1 em meio a disputas e sanções ocidentais, enquanto o Nord Stream 2, recém-concluído, nunca chegou a entrar em funcionamento comercial.

O caso gera grande sensibilidade diplomática e política para o governo alemão, que mantém forte apoio militar a Kiev. Autoridades alemãs reiteram a separação de poderes no país e evitam fazer comentários diretos. Enquanto a Ucrânia nega ter ordenado oficialmente a operação, Moscou critica a condução do processo e a recusa do tribunal em permitir que operadoras russas participem como acusadoras privadas, reforçando que continuará buscando os verdadeiros mandantes do ataque.

Em frente ao tribunal em Hamburgo, dezenas de manifestantes reuniram-se no início da audiência para expressar solidariedade ao réu e protestar contra as ações do governo russo, exibindo cartazes e bandeiras europeias.

Fontes consultadas

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