Assembleia Nacional inicia debates sobre o orçamento da Seguridade Social
Proposta do governo para 2027 busca reduzir o déficit público, mas enfrenta forte resistência no Parlamento e recusa prévia em comissão.
Os deputados iniciaram nesta terça-feira, 20 de outubro, a análise em primeira leitura do projeto de lei de financiamento da Seguridade Social para 2027 na Assembleia Nacional. O texto apresentado pelo governo tem como objetivo principal reduzir o déficit do sistema de solidariedade para 12,7 bilhões de euros no próximo ano, comparado aos 21,8 bilhões registrados em 2026. Para alcançar essa meta, a proposta prevê uma série de medidas de contenção de gastos e novas receitas que afetam assegurados, empresas, profissionais de saúde e a indústria farmacêutica.
O cenário político para a aprovação da matéria é altamente complexo. Durante os trabalhos da comissão de Assuntos Sociais, o texto foi integralmente rejeitado pelos parlamentares após passar por diversas modificações. O deputado Thibault Bazin, relator-general do orçamento e representante do partido Direita Republicana por Meurthe-et-Moselle, avaliou o processo na comissão afirmando que votações anteriores acabaram esvaziadas e que o debate recomeça a partir da base inicial enviada pelo Executivo.
Bazin também destacou o impacto das recentes tensões sociais no país, alertando que o clima de instabilidade não deixará de afetar o andamento das contas públicas. Além disso, o relator apontou que a extensão da chamada taxa sobre produtos açucarados para itens pré-embalados mais ricos em açúcar foi aprovada em comissão e tem potencial de arrecadação estimado em 1,7 bilhão de euros, embora a medida enfrente críticas severas do setor agroalimentar e de associações industriais.
O projeto de orçamento da Seguridade Social detalha diversas frentes de economia. O governo planeja limitar reajustes automáticos de pensões de aposentadoria de acordo com a inflação, beneficiando integralmente apenas quem recebe até 1.260 euros mensais. Outras frentes incluem o congelamento de auxílios familiares, restrições a deduções fiscais e alterações no cálculo de prêmios de atividade para trabalhadores de menor renda, gerando forte oposição tanto da bancada de esquerda quanto de setores conservadores.
Medidas adicionais adotadas pelo Executivo incluem a redução de repasses da Assistência Médica para despesas com medicamentos e transportes sanitários, transferindo parte dos custos para as seguradoras complementares de saúde. Especialistas e parlamentares divergem sobre os reflexos dessas escolhas para o poder de compra da população, enquanto entidades de defesa da saúde cobram firmeza na manutenção de políticas públicas de prevenção e assistência.
A falta de uma maioria sólida na câmara baixa coloca em dúvida a viabilidade de aprovação do texto sem a intervenção do governo. Analistas políticos apontam que a rejeição da seção de receitas pode ocorrer ainda esta semana, o que resultaria no envio direto da matéria para apreciação do Senado. Caso o impasse persista, o primeiro-ministro poderá recorrer a mecanismos constitucionais para promulgar o orçamento sem votação final em plenário.
Fontes consultadas
- L'impact des violences urbaines sur le budget de la sécurité sociale reste à évaluer hospimedia.fr
- Budget de la Sécurité sociale : la taxe sur les produits sucrés débattue à l'Assemblée nationale - ICI ici.fr
- Les députés ont déjà fait dérailler la trajectoire de réduction du déficit de la Sécurité sociale avant même le début des débats dans l’hémicycle sur le budget de la Sécu bfmtv.com
- Pension de retraite désindexée, aides CAF rabotées... Ce que change le projet de budget 2027 de la Sécu moneyvox.fr
- Les députés examinent en première lecture le projet de budget de la « Sécu », dont l’adoption semble hors de portée lemonde.fr