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Ataques de ursos deixam dezenas de mortos e geram alerta na Rússia

Crescimento populacional dos animais, mudanças climáticas e escassez de alimentos impulsionam invasões a áreas urbanas na Sibéria.

Por 2 min de leitura

Ataques de ursos deixam dezenas de mortos e geram alerta na Rússia
Ataques de ursos deixam dezenas de mortos e geram alerta na Rússia

Uma série de ataques violentos de ursos-pardos tem assustado moradores em diversas regiões da Rússia, resultando em ao menos dezenas de mortes desde abril e gerando medidas emergenciais de segurança por parte das autoridades locais. A situação mais grave ocorre na Sibéria, especialmente na região de Krasnoyarsk, onde autoridades abriram investigações por suposta negligência de funcionários públicos na gestão da fauna e no controle da população dos animais.

Apenas no mês de setembro, foram registradas pelo menos sete mortes em Krasnoyarsk, incluindo a de uma mulher de 51 anos atacada em seu próprio jardim no vilarejo de Voznesenka. Entre as demais vítimas na região e em áreas vizinhas estão trabalhadores florestais, aposentados que recolhiam cogumelos e turistas, além do pai de um jogador de hóquei da NHL, morto enquanto pescava na república de Tuva.

Autoridades regionais e especialistas apontam diferentes fatores para a aproximação dos predadores das áreas habitadas. Dados do Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente indicam que a população de ursos-pardos na Rússia mais que dobrou desde 1990, ultrapassando 307 mil animais. O crescimento populacional, aliado a invernos mais amenos e curtos provocados pelas mudanças climáticas, elevou a taxa de sobrevivência dos filhotes.

Além do aumento demográfico, zoólogos e pesquisadores destacam que uma safra excepcionalmente ruim de pinhões e frutas silvestres, combinada com incêndios florestais extensos, privou os animais de seus habitats tradicionais. Na tentativa de encontrar alimento para acumular reservas para a hibernação, os ursos têm avançado sobre cidades e vilarejos em busca de resíduos de alimentos deixados ao ar livre.

Diante da gravidade da situação, governos locais em pelo menos dez regiões da Sibéria e do Extremo Oriente emitiram alertas, impuseram toques de recolher noturnos e fecharam parques e rotas de caminhada. Equipes móveis de caça foram mobilizadas para realizar abates emergenciais e, em alguns locais, foram oferecidas recompensas financeiras pela remoção de animais considerados perigosos.

Enquanto autoridades defendem o abate como medida urgente para proteger a população, especialistas independentes alertam que a medida de longo prazo deve incluir a gestão adequada de resíduos e lixo para evitar que os animais continuem sendo atraídos para os assentamentos humanos, reforçando que a convivência com a fauna silvestre exige cautela e restrições de acesso às matas afetadas.

Fontes consultadas

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