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Ataques de ursos deixam dezenas de mortos na Rússia em 2026

O crescimento expressivo da população de ursos-pardos e a busca por alimentos em áreas urbanas impulsionam uma onda de incidentes fatais no país.

Por 3 min de leitura

Ataques de ursos deixam dezenas de mortos na Rússia em 2026
Ataques de ursos deixam dezenas de mortos na Rússia em 2026

A Rússia registra ao menos 30 mortes decorrentes de ataques de ursos desde o início de 2026, com o marco mais recente contabilizado na região siberiana de Tomsk. O volume de ocorrências fatais é considerado incomum pelas autoridades locais, sobretudo porque a maior parte dos encontros letais tem se concentrado em um intervalo de poucos meses, entre setembro e o início de novembro. Vilarejos em diferentes províncias implantaram toques de recolher para proteger os moradores.

Dados do governo federal apontam que a população de ursos-pardos na Rússia mais do que dobrou nas últimas três décadas, alcançando aproximadamente 308 mil indivíduos. Especialistas locais associam parte dessa expansão demográfica a invernos mais curtos e amenos, que favorecem a sobrevivência da espécie.

Em paralelo ao crescimento populacional, fatores climáticos e ambientais têm alterado o comportamento dos animais. Uma primavera precoce e seca prejudicou a safra de frutas silvestres e pinhões, essenciais para que os ursos acumulem reservas de gordura antes da hibernação. Além disso, incêndios florestais e o desmatamento reduziram o habitat natural, empurrando os mamíferos para áreas urbanas e periurbanas em busca de subsistência.

A invasão de centros habitados tem gerado pânico e transformado a rotina de comunidades na Sibéria e no Extremo Oriente russo. Moradores relatam restrições a caminhadas noturnas, fechamento temporário de parques infantis e medo constante de ataques próximos a residências. Em alguns casos, falsos alarmes causados por imagens geradas com inteligência artificial também mobilizaram equipes de segurança e geraram apreensão.

Para conter o avanço dos animais sobre as cidades, governos regionais intensificaram medidas de controle. Na província de Irkutsk, campanhas oficiais incentivam a caça de centenas de ursos considerados perigosos, enquanto localidades próximas ao lago Baikal e a Tomsk oferecem recompensas financeiras por espécimes abatidos. As autoridades de emergência chegam a receber dezenas de chamados diários sobre a presença de predadores nas ruas.

Parlamentares do Partido Verde sugeriram a aplicação de multas severas para cidadãos que alimentem deliberadamente os animais silvestres ou descartem lixo de forma inadequada, práticas apontadas como fatores de atração para os centros urbanos. Paralelamente, investigadores abriram processos contra órgãos ambientais regionais sob a acusação de negligência no controle populacional da fauna.

A expectativa das autoridades é de que a crise arrefeça com a chegada das baixas temperaturas e o consequente retorno dos ursos às tocas para o período de hibernação. Contudo, moradores e especialistas mantêm a cautela diante do elevado número de animais famintos circulando fora de seus habitats tradicionais.

Fontes consultadas

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