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Política

Áudios de Daniel Vorcaro apontam repasses para filme sobre Lula

Ex-banqueiro afirma ter pago R$ 30 milhões em espécie para garantir acesso a fundos de pensão federais.

Por 3 min de leitura

Áudios de Daniel Vorcaro apontam repasses para filme sobre Lula
Áudios de Daniel Vorcaro apontam repasses para filme sobre Lula

O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em áudios e documentos divulgados pela imprensa que teria liberado cerca de R$ 30 milhões em espécie para custear um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Instituto Lula. Segundo o material revelado pela revista Veja, a movimentação financeira fazia parte de um esquema para assegurar a participação da instituição financeira em operações com grandes fundos de pensão de estatais.

Preso em Brasília desde março sob acusação de fraude bancária, Vorcaro relatou que a aproximação com o Partido dos Trabalhadores foi articulada por seu ex-sócio, Augusto Lima, contando com a intermediação do ex-senador Jaques Wagner. O contato inicial levou a reuniões com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, apontado como responsável por condicionar o acesso aos fundos de previdência a pagamentos antecipados e a uma comissão de 10% sobre os recursos captados.

De acordo com os relatos do ex-banqueiro, o montante destinado ao projeto cinematográfico dirigido por Oliver Stone e ao Instituto Lula ocorreu de forma irregular. Em gravações, Vorcaro pontuou que o financiamento do filme sobre Lula foi feito "por fora" e de maneira incorreta, diferenciando o caso do patrocínio regular destinado a um projeto sobre Jair Bolsonaro.

O esquema narrado pelo ex-controlador do Banco Master também envolvia autoridades e operadores políticos. Vorcaro citou reuniões e contatos com o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e com o secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, além de intermediários que facilitavam o acesso aos gestores de fundos como Previ, Petros e Postalis.

Apesar dos esforços e da inclusão oficial do banco na lista de instituições autorizadas a receber recursos em abril de 2024, as operações de captação acabaram enfrentando resistências e vazamentos. Com o recuo de gestores e a falta de retornos esperados, as tratativas perderam fôlego ao longo dos meses seguintes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro por avaliar que não havia comprovação material suficiente para os pagamentos realizados em espécie. A defesa do ex-banqueiro tentou rebater a negativa apresentando mensagens de WhatsApp, registros de saques bancários e rotas de entrega.

Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que jamais solicitou ou recebeu vantagens financeiras de Vorcaro, nem autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. Representantes citados no caso, como Alexandre Padilha e Olavo Noleto, também negaram qualquer vínculo ou irregularidade nas acusações.

Fontes consultadas

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