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Política

Augusto Cury fica em terceiro no primeiro turno e descarta continuar na política

Escritor obteve mais de 3,4 milhões de votos na disputa presidencial e anunciou neutralidade para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por 3 min de leitura

Augusto Cury fica em terceiro no primeiro turno e descarta continuar na política
Augusto Cury fica em terceiro no primeiro turno e descarta continuar na política

O escritor e médico psiquiatra Augusto Cury (Avante) encerrou sua primeira incursão eleitoral na terceira colocação da disputa pela Presidência da República, realizada neste domingo (4). Com mais de 3,4 milhões de votos, o equivalente a cerca de 2,90% dos votos válidos segundo a apuração parcial, o candidato alcançou expressiva votação em uma eleição polarizada, mas anunciou que não pretende dar continuidade à carreira política.

Em entrevista coletiva concedida na noite de domingo, Cury afirmou ter cem por cento de convicção sobre sua decisão de abandonar a vida pública após o pleito. "Hoje eu tenho muito claro dentro de mim que não vou continuar na política", declarou o escritor, que também evitou declarar apoio a qualquer um dos candidatos classificados para o segundo turno, formado por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com ele, ninguém está autorizado a falar em seu nome ou de seu vice, Júlio Delgado.

A trajetória de Cury na corrida ao Planalto foi marcada por expectativas modestas iniciais, visto que o candidato de 67 anos nunca havia ocupado cargos públicos. Apresentando-se como uma alternativa de centro sob o lema "mente de direita e coração social", o autor de best-sellers de desenvolvimento pessoal defendeu propostas voltadas à revolução da educação emocional, reformas estruturais no Supremo Tribunal Federal e maior integração nas forças de segurança pública.

Durante a campanha, a estratégia de comunicação coordenada pelo marqueteiro Sérgio Lima buscou atrair eleitores insatisfeitos com os dois principais polos políticos e aqueles distantes do debate tradicional. O desempenho do candidato sofreu oscilações significativas ao longo das semanas. Após registrar índices expressivos de intenção de voto no início de setembro, chegando a pontuar em patamares elevados em pesquisas de institutos como Quaest e Datafolha, a campanha enfrentou perda de visibilidade.

A equipe de Cury atribuiu a queda nas sondagens à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal que dominou o noticiário político e desviou o foco das propostas da terceira via. Além disso, a candidatura precisou lidar com episódios de controvérsia ao longo da disputa, a exemplo de polêmicas sobre sua relação acadêmica com a Universidade de São Paulo e a necessidade de retificar a declaração de bens para incluir empresas no Brasil e no exterior, elevando seu patrimônio declarado.

Na reta final da campanha, o candidato também se envolveu em um erro de repercussão nas redes sociais ao atribuir erroneamente ao escritor português Eça de Queiroz uma frase de autoria imprecisa que comparava políticos a fraldas. A equipe de marketing reconheceu o equívoco de atribuição, mas defendeu a validade da reflexão social contida no texto compartilhado na internet.

Com o encerramento da contagem do primeiro turno, que colocou Flávio Bolsonaro e Lula na disputa decisiva marcada para o dia 25 de outubro, Augusto Cury consolida o fim de sua primeira experiência eleitoral sem indicar alianças para a próxima etapa do pleito presidencial.

Fontes consultadas

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