Escritor Augusto Cury fica em terceiro lugar nas eleições presidenciais do Brasil
O psiquiatra e autor de livros de desenvolvimento pessoal alcançou cerca de 2,9% dos votos válidos e anunciou que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno.
O médico psiquiatra, escritor e candidato pelo partido Avante, Augusto Cury, surpreendeu no primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil realizadas no último domingo, 4 de outubro, ao conquistar a terceira posição na disputa. Conforme dados apurados pelo Tribunal Superior Eletrônico e divulgados pela imprensa internacional, Cury obteve aproximadamente 2,9% dos votos válidos, o que representa quase 3,5 milhões de eleitores, ficando atrás apenas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Nascido em São Paulo em outubro de 1958, Cury construiu uma carreira de destaque internacional antes de entrar na política partidária. Ele é amplamente conhecido como autor de best-sellers de autoayuda, emoções e desenvolvimento pessoal. De acordo com informações de editoras, suas obras já ultrapassaram dezenas de milhões de exemplares vendidos e foram publicadas em dezenas de países. Entre seus títulos mais conhecidos figuram 'El vendedor de sueños', adaptado para o cinema, além de livros focados na teoria da inteligencia multifocal.
A trajetória literária e profissional do candidato foi marcada por uma vivência pessoal na juventude, período em que enfrentou um episódio depressivo durante a faculdade. Esse momento o motivou a aprofundar os estudos sobre a mente humana, a gestão de pensamentos e o controle das emoções, temas que estruturaram tanto seus livros quanto seus programas educacionais, a exemplo da Escola de Inteligencia.
Durante a campanha eleitoral, Cury posicionou-se no centro político e buscou apresentar uma alternativa à intensa polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. Sob o lema de um 'cristiano sin fronteras', o autor defendeu que o país precisava superar os confrontos tradicionais entre os principais campos políticos, estruturando sua plataforma em torno de 18 projetos voltados para uma sociedade que ele descreve como enferma e dividida.
Um dos pilares centrais de sua proposta de governo foi a 'Revolução da Educação', que previa a introdução gratuita da metodologia de sua escola de inteligência no sistema público de ensino para proteger a saúde emocional de estudantes, professores e famílias. Embora a proposta tenha gerado questionamentos por causa de sua comercialização privada prévia, o candidato garantiu que a implementaria sem remuneração pelo Estado.
No plano institucional e econômico, o programa de Cury combinou diferentes vertentes. Ele defendeu reformas como o fim da reeleição para o Poder Executivo, a limitação de mandatos para ministros da Suprema Corte e a adoção do voto distrital, além da criação de dez mil clubes de empreendedorismo. Na economia, apresentou propostas alinhadas à redução de gastos e déficit fiscal zero, ao mesmo tempo em que propôs ampliar investimentos sociais em saúde mental.
Após o resultado das urnas confirmar que a disputa presidencial será decidida em segundo turno no dia 25 de outubro entre Lula e Flávio Bolsonaro, Cury declarou que não apoiará nenhum dos dois finalistas. O escritor manifestou, contudo, o desejo de que o próximo presidente considere as propostas apresentadas por ele durante a campanha.
Com quase 3,5 milhões de votos conquistados em sua primeira experiência eleitoral, o desempenho do psiquiatra transformou-o em uma figura relevante no cenário político nacional. Resta agora observar como o eleitorado que o apoiou irá se comportar na nova fase da disputa presidencial brasileira.