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Economia

B3 ganha duas novas concorrentes no mercado brasileiro após 27 anos

As plataformas A5X e Base Exchange planejam iniciar as operações em 2027 com foco em redução de custos e novos produtos.

Por 3 min de leitura

B3 ganha duas novas concorrentes no mercado brasileiro após 27 anos
B3 ganha duas novas concorrentes no mercado brasileiro após 27 anos

Após quase 27 anos operando sem a presença de concorrentes diretas, a B3 voltará a disputar espaço no mercado nacional com a chegada iminente de duas novas bolsas de valores: a A5X e a Base Exchange. Ambas preveem estrear suas operações no ano de 2027, prometendo melhores serviços e preços mais baixos, embora o setor analise com cautela se haverá real expansão dos negócios ou apenas a divisão da liquidez já existente.

As novas empresas pretendem atuar em frentes distintas do mercado financeiro. A Base Exchange planeja negociar ações, fundos imobiliários e ETFs, um segmento que movimentou uma média diária de R$ 31,3 bilhões durante o segundo trimestre de 2026. Por sua vez, a A5X concentrará seus esforços iniciais no mercado de derivativos, com contratos atrelados a juros, dólar e índices de ações, setor que registrou uma média de 11,1 milhões de contratos negociados diariamente entre abril e junho.

A entrada das novas plataformas gera debates entre especialistas e executivos sobre a capacidade de atrair novos investidores para o país. Karel Luketic, cofundador da A5X, argumenta que a proposta visa expandir o mercado brasileiro por meio de uma oferta ampliada de produtos. Em contrapartida, André Milanez, diretor financeiro da B3, aponta que a concorrência pode gerar fragmentação na liquidez e questiona se as rivais conseguirão trazer um volume suficiente de novos entrantes.

Para viabilizar as operações, as novas bolsas adotam estratégias tecnológicas diferenciadas. A A5X combinará sistemas próprios com a tecnologia do grupo LSEG, dono da Bolsa de Londres, além de contar com o apoio de grandes instituições financeiras para prover liquidez. Já a Base Exchange aposta em sistemas próprios de negociação e pós-negociação, buscando facilitar a conexão com clientes já atendidos por uma empresa de tecnologia do mesmo grupo empresarial.

Enquanto as novas concorrentes prometem tarifas mais enxutas e estruturas modernas, representantes da B3 sustentam que a credibilidade, a solidez tecnológica e a amplitude de produtos oferecidos pesam mais na decisão dos participantes do que apenas o custo das tarifas. A B3 tem investido na modernização de seus serviços e na adaptação de sistemas para permitir que as corretoras operem em múltiplos ambientes de mercado sem grandes entraves.

A adaptação das corretoras para atuar em mais de uma infraestrutura exigirá investimentos e ajustes operacionais, o que pode representar um desafio maior para as instituições de menor porte. Analistas apontam que o sucesso e a longevidade das novas bolsas dependerão não apenas de incentivos de preço, mas da estabilidade operacional e da atratividade do cenário econômico brasileiro para investidores locais e estrangeiros.

Fontes consultadas

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