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Britânico conclui primeira volta ao mundo a pé após 28 anos de jornada

Karl Bushby percorreu cerca de 58 mil quilômetros desde que deixou o Chile em 1998, sem utilizar veículos motorizados.

Por 3 min de leitura

Britânico conclui primeira volta ao mundo a pé após 28 anos de jornada
Britânico conclui primeira volta ao mundo a pé após 28 anos de jornada

O britânico Karl Bushby, de 57 anos, tornou-se a primeira pessoa na história a completar uma volta ao mundo por uma rota ininterrupta sem utilizar veículos motorizados. Ex-militar e ex-paraquedista do Exército britânico, ele chegou à casa de sua mãe, em Hull, na Inglaterra, após caminhar por 28 anos desde o início de sua expedição na Patagônia chilena.

A jornada épica teve início em 1º de novembro de 1998, em Punta Arenas, no sul do Chile. O plano original nasceu de uma sugestão familiar feita em um cartão de aniversário, quando seu pai sugeriu que ele tentasse atravessar o Estreito de Bering a pé durante o inverno, o que abriria um caminho por quatro continentes. Movido pelo desafio, Bushby traçou uma linha em um mapa na parede e decidiu retornar à Inglaterra a pé.

Ao longo dos cerca de 58 mil quilômetros percorridos, Bushby impôs a si mesmo duas regras rígidas: não utilizar meios de transporte para avançar e não pisar em solo britânico até o encerramento total da expedição. Em sua marcha, ele contou apenas com um carrinho de golfe modificado, apelidado de "A Fera", que carregava seus equipamentos de acampamento, alimentos e suprimentos básicos.

O trajeto incluiu passagens por paisagens consideradas inóspitas, como a selva do Darién e a tundra siberiana. Um dos momentos mais arriscados ocorreu em março de 2006, quando ele e o aventureiro Dimitri Kieffer atravessaram a pé o gelo instável do Estreito de Bering entre o Alasca e a Rússia, enfrentando temperaturas extremas e o risco constante de o gelo se partir.

A expedição também enfrentou sucessivos obstáculos burocráticos, geopolíticos e sanitários, incluindo prisões por autoridades de fronteira, problemas com vistos, crises econômicas globais e as restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Para contornar restrições territoriais ao longo dos anos, Bushby chegou a nadar pelo Mar Cáspio em 2024.

O desfecho da viagem ocorreu após ele atravessar a nado o Canal da Mancha em outubro, chegando ao território britânico e realizando os quilômetros finais até a residência de sua mãe, onde foi recebido por centenas de apoiadores, familiares e pela imprensa. O momento marcou o reencontro definitivo após décadas de separação e sacrifícios pessoais.

Ao refletir sobre o fim de sua grande aventura, Bushby admitiu sentir um misto de realização e angústia diante da perda de seu principal propósito de vida. Preocupado com o futuro imediato, o aventureiro revelou o desejo de atuar como educador na área de ciências e continuar compartilhando com crianças palestras sobre a solidariedade e a bondade de desconhecidos encontradas em todas as culturas ao longo do planeta.

Fontes consultadas

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