Casos de violência e racismo no metrô de São Paulo repercutem
Passageiros relatam agressões físicas e ofensas racistas em estações do transporte metropolitano paulista após atos políticos.
A violência política e o racismo voltaram a marcar o transporte público em São Paulo no último domingo, quando passageiros foram alvos de ataques físicos e verbais nas dependências do metrô. Os episódios ocorreram após a realização de manifestações políticas na capital paulista e ganharam ampla repercussão nas redes sociais nesta semana, mobilizando autoridades e órgãos de investigação.
Em um dos casos, na Estação Vila Sônia, pertencente à Linha 4-Amarela, um estudante de 24 anos identificado como Márcio Ferreira foi vítima de injúria racial e ofensas homofóbicas. A confusão teve início por volta das 20h, quando o jovem tentou intervir em uma discussão para evitar que uma mulher agredisse fisicamente um grupo de passageiros após divergências políticas.
Segundo o relato do estudante, ao ser rotulada como apoiadora de bolsonarismo e ter sua conduta contestada, a mulher reagiu com xingamentos homofóbicos e passou a persegui-lo pelas dependências da estação. Durante a gravação feita pelo próprio jovem, a agressora admitiu ter proferido ofensas raciais, utilizando termos discriminatórios, embora tenha tentado se justificar alegando convívio familiar com pessoas negras.
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), requisitou a instauração de um inquérito policial para apurar responsabilidades criminais sobre o episódio na Linha 4-Amarela. A vítima registrou boletim de ocorrência e relatou o impacto emocional e o sentimento de culpa gerados pela agressão em sua rotina diária de estudos e trabalho.
Em paralelo, outro caso de violência ocorreu na Estação Butantã, onde uma atriz e arte-educadora identificada apenas como Mariana foi agredida com socos na cabeça e no rosto. Vestindo uma camisa vermelha e aguardando um transporte por aplicativo para retornar para casa após o mesmo domingo de atos políticos, ela foi abordada por um casal e hostilizada por sua aparência e posicionamento.
De acordo com o depoimento da atriz, o agressor foi identificado posteriormente como Diogo Freire Estevão, empresário do ramo de logística. Relatos e registros jornalísticos apontam que o homem desferiu golpes contra ela e que a companheira dele também participou da agressão, puxando seus cabelos. A vítima denunciou ainda a omissão de policiais militares presentes no local, que liberaram o suspeito sem realizar a prisão ou o registro de sua identificação.
O caso da Estação Butantã ganhou novos desdobramentos com a revelação de que a Justiça havia concedido, na mesma semana, uma medida protetiva em favor de outra mulher que teria sido ameaçada de morte pelo mesmo empresário. Enquanto isso, as concessionárias responsáveis pela gestão das linhas e os órgãos de segurança pública seguem sob escrutínio para esclarecer os protocolos adotados durante as ocorrências de violência e discriminação.
Fontes consultadas
- Quem é Mariana, a mulher agredida por bolsonarista no metrô de São Paulo metropoles.com
- Apoiadora de Bolsonaro faz ataque racista contra estudante no metrô em SP | Gazeta Digital gazetadigital.com.br
- 'Preto de bosta': apoiadora de Bolsonaro faz ataque racista contra estudante no metrô contilnetnoticias.com.br
- Atriz atacada com socos por bolsonarista apenas por usar vermelho no metrô de SP denuncia omissão policial brasil247.com
- VÍDEO - "Preto do c*": bolsonarista ataca estudante no Metrô de SP diariodocentrodomundo.com.br