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Brasil

Cenipa aponta histórico de falhas e caixa-preta sem áudio em queda de helicóptero

Relatório preliminar sobre o acidente que vitimou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas detalha problemas mecânicos e condições meteorológicas adversas em Santa Catarina.

Por 3 min de leitura

Cenipa aponta histórico de falhas e caixa-preta sem áudio em queda de helicóptero
Cenipa aponta histórico de falhas e caixa-preta sem áudio em queda de helicóptero

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira, revelou que o gravador de áudio da cabine do helicóptero que caiu em Urubici, na Serra de Santa Catarina, não registrou o voo do acidente. A queda, ocorrida em 21 de setembro, resultou na morte de cinco pessoas, incluindo o cantor Rick Sollo — que formava dupla sertaneja com Renner —, o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

Segundo o documento divulgado, os dados extraídos do equipamento continham apenas diálogos relativos a uma intervenção de manutenção realizada em data indeterminada. A legislação aeronáutica vigente não exige o uso de gravadores de voo para esse tipo de operação, mas a aeronave contava com o dispositivo instalado desde maio de 2002, com capacidade para trinta minutos de gravação.

Além da ausência de registros do voo na caixa-preta, o Cenipa detalhou um histórico de problemas mecânicos e elétricos frequentes nos geradores do helicóptero, componentes responsáveis pela produção de energia e partida dos motores. Um mecânico que prestou serviços na aeronave confirmou que as falhas eram constantes e relatou ter recomendado que o veículo retornasse à oficina para uma investigação detalhada das panes, orientação que não foi executada antes da tragédia.

O relatório aponta que algumas das falhas elétricas ocorriam após voos realizados dentro de nuvens ou sob chuva, expondo os componentes à umidade. Em abril de 2026, um dos motores-geradores precisou ser substituído por uma peça locada e, após reparos e retransposição de posição em maio, ambos passaram a apresentar falhas de forma alternada. A aeronave também havia realizado um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, em 30 de março, devido a uma vibração anormal, embora inspeções posteriores não tenham constatado problemas no rotor principal.

No dia do acidente, a colisão contra o terreno ocorreu em uma área montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim durante um período de condições meteorológicas adversas. A região registrava chuva moderada, nuvens baixas e encobrimento de montanhas na Serra Geral. O Cenipa classificou o evento como colisão controlada contra o terreno, ressaltando que essa designação preliminar não determina a causa da queda.

A JTA Empreendimentos e Urbanismo, empresa proprietária do helicóptero, declarou por meio de nota que o relatório preliminar não apresenta conclusões definitivas sobre as causas do acidente e confirmou que a aeronave estava com os registros de manutenção atualizados e o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido.

Os trabalhos de investigação continuam em andamento com exames complementares em motores, sistemas eletrônicos e outros componentes resgatados no local. O órgão militar informou que nenhuma hipótese foi descartada até a publicação do relatório final, que definirá os fatores humanos, técnicos e operacionais envolvidos na ocorrência.

Fontes consultadas

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