Pular para o conteúdo
Esportes

Comissão do Corinthians converte processo contra Stabile para rito de destituição

A medida assinada por Leonardo Pantaleão analisa indícios de irregularidades na contratação de empresa de segurança e gestão temerária.

Por 3 min de leitura

Comissão do Corinthians converte processo contra Stabile para rito de destituição
Comissão do Corinthians converte processo contra Stabile para rito de destituição

A Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians determinou a conversão do procedimento administrativo envolvendo o presidente interino Osmar Stabile para o rito de destituição previsto no Estatuto Social do clube. A decisão, assinada pelo presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, não acarreta o afastamento imediato do dirigente e tampouco constitui reconhecimento de culpa, assegurando ao mandatário o direito ao contraditório e à ampla defesa.

O despacho aponta que os elementos reunidos ao longo da investigação podem se enquadrar em hipóteses do artigo 106 do Estatuto Social. Entre as suspeitas estão o uso de serviços de segurança custeados pelo clube para atender a interesses particulares e de familiares de Stabile, o que geraria potenciais prejuízos financeiros e de imagem à instituição. Além disso, a comissão apontou a ausência de três orçamentos obrigatórios ou de documentação comprobatória de dispensa pelo Conselho de Orientação.

Outro ponto central do documento é a contratação e manutenção da empresa Bear Security. Segundo a investigação, não foi apresentada autorização da Polícia Federal para que a prestadora exercesse atividades de segurança privada, circunstância que, em tese, configuraria ato de gestão irregular ou temerária. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público de São Paulo, onde o promotor Cássio Conserino denunciou o presidente por suspeita de apropriação indébita em contratos que somam cerca de R$ 721 mil.

A defesa de Stabile teve um pedido de prazo adicional para análise de documentos rejeitado pelo relator, sob o argumento de que as propostas comerciais e a análise de integridade já estavam disponíveis previamente. Com a formalização da mudança de rito, o presidente interino terá um prazo de dez dias, contados a partir da intimação, para apresentar sua defesa específica e indicar as provas que pretende produzir.

Em paralelo aos desdobramentos disciplinares, a gestão enfrenta desgaste nos bastidores do clube e contestações internas. Ex-membros da administração pública do clube relataram uma forte centralização de poder nas mãos de Stabile e a ausência de autonomia de departamentos como Jurídico, Financeiro e Compliance, enquanto a defesa do dirigente sustenta que as contratações seguiram os procedimentos internos necessários e possuíam caráter institucional devido a ameaças recebidas.

Enquanto a crise administrativa se desenvolve nos âmbitos político e jurídico, o departamento de futebol do Corinthians tenta manter o foco na reta final do Campeonato Brasileiro. A equipe lida com pressão extracampo, atrasos financeiros e busca a reabilitação na competição sob o comando da comissão técnica, enquanto o futuro da presidência interina segue sob avaliação estatutária.

Fontes consultadas

Leia também