Consultoras apontam entrada da economia argentina em recessão técnica
Principais analistas indicam que o terceiro trimestre de 2026 registrou nova retração na atividade econômica do país vizinho.
A economia da Argentina entrou oficialmente em recessão técnica ao término do terceiro trimestre de 2026, segundo avaliação unânime das principais consultoras do mercado financeiro. A constatação ocorre após a constatação de dois trimestres consecutivos de retração econômica, impulsionada principalmente pela queda na atividade de setores com forte peso na economia real como a indústria, o comércio e a construção.
De acordo com o Instituto Nacional de Estadísticas y Censos (Indec), o nível de atividade já havia registrado uma contração de 0,6% no segundo trimestre do ano. Após os resultados negativos de julho, com uma baixa intermensal de 2,9% no Estimador Mensal de Actividad Económica (EMAE), as previsões do Relevamiento de Expectativas del Mercado (REM) do Banco Central estimam uma retração de 1,0% para o terceiro trimestre.
Esta representa a segunda vez que a economia argentina ingressa formalmente em recessão durante a gestão do presidente Javier Milei. Especialistas apontam que os setores historicamente favorecidos pelo atual modelo econômico, a exemplo da energia, mineração, agronegócio e a intermediação financeira, já não conseguem contrabalançar o enfraquecimento generalizado do mercado interno.
Analistas do setor privado ressaltam que o recuo na capacidade de consumo das famílias, aliado ao impacto das políticas de ajuste fiscal e ao avanço da inadimplência, inviabiliza uma recuperação sustent พระ o curto prazo. O economista Haroldo Montagu avaliou que o modelo atual esgotou seu fôlego em termos de atividade e que o governo demonstra inflexibilidade em alterar sua estratégia monetária, cambial ou fiscal, mantendo a inflação mensal em torno de 2%.
Em paralelo ao cenário macroeconómico, o custo de vida e a movimentação cambial continuam no centro das atenções. O dólar oficial cotado no Banco da Nación Argentina opera a $1490 para compra e $1540 para venda, enquanto o dólar blue negocia a $1540. No âmbito das reservas internacionais, o viceministro de Economia, José Luis Daza, rebateu críticas recentes da Auditoria General de la Nación (AGN) sobre o manejo de reservas em ouro, classificando as contestações técnicas como infundadas e defendendo a atuação do Banco Central.
Enquanto isso, o impacto da inflação e das variações de preços afeta diretamente os custos turísticos e os benefícios sociais. Um levantamento da Universidade Argentina de la Empresa (UADE) calculou que uma família tipo necessita de cerca de $1.072.600 para realizar viagens durante o feriado prolongado de outubro, refletindo uma perda do poder aquisitivo no setor de turismo. Por sua vez, a Administração Nacional da Seguridad Social (Anses) iniciou o pagamento das Pensiones No Contributivas, que contam com um reajuste de 1,66% com base no Índice de Preços ao Consumidor e um bônus extraordinário de $70.000, embora o calendário de depósitos sofra alterações devido aos feriados nacionais.
Fontes consultadas
- Las consultoras advierten que la economía argentina entró en recesión elancasti.com.ar
- Fin de semana largo de octubre 2026: cuánto cuesta viajar y qué destinos son más baratos cronista.com
- Dólar hoy: a cuánto cotizan el oficial, el blue, el mayorista, el MEP, el CCL y el Cripto este viernes 9 de octubre tn.com.ar
- Daza, contra la AGN por el oro del Banco Central: “Dicen brutalidades” noticiasargentinas.com
- Pensiones No Contributivas de Anses: cuánto cobrarán en octubre y qué pasa con los pagos por DNI lagaceta.com.ar