México e Argentina adotam medidas para zerar tarifas e impulsionar setor automotivo
Países vizinhos implementam novas estratégias fiscais e acordos comerciais para fortalecer suas indústrias diante da transição global para a eletrificação.
Enquanto o Brasil adota um caminho gradual de retomada nas tarifas de importação de veículos eletrificados para proteger a produção interna, o México e a Argentina implementaram estratégias distintas para zerar impostos e atrair novos investimentos para o setor automotivo.
No México, o governo reduziu de 10% para zero a tarifa de importação de componentes voltados à montagem de veículos. A medida, com validade de cinco anos, beneficia exclusivamente 11 fabricantes que já possuem parques industriais instalados no país, como Audi, Ford, General Motors e Volkswagen, com o objetivo de baratear custos e intensificar a competitividade externa.
Segundo Rogelio Golfarb, consultor do setor e ex-presidente da Anfavea, a indústria mexicana é fortemente voltada para as exportações e precisa incorporar novas tecnologias sem perder espaço para as montadoras chinesas. Diferente do Brasil, que prioriza o mercado interno, o México foca sua estratégia na escala de exportação e na integração com o mercado norte-americano.
Por outro lado, a Argentina adotou uma abordagem que combina a abertura comercial com incentivos robustos à produção local. O país passou a permitir a importação anual de até 50 mil veículos elétricos e híbridos com alíquota zero, substituindo a antiga taxa de 35% para estimular o acesso a novas tecnologias e reduzir os preços ao consumidor.
Além disso, o governo argentino tem atraído grandes aportes industriais por meio de programas de incentivos fiscais e aduaneiros, como o Regime de Incentivo para Grandes Investimentos. Entre os projetos recentes aprovados está um investimento bilionário da Toyota para a produção de uma nova picape híbrida e um SUV na província de Buenos Aires.
Tanto o México quanto a Argentina possuem acordos comerciais que permitem a exportação de veículos para o Brasil, o maior mercado da América Latina, com imposto de importação zerado, desde que cumpram rigorosas regras de origem regionais. Esse cenário acirra a disputa regional por investimentos industriais e desenvolvimento tecnológico na América Latina.
Estudos de competitividade apontam que os custos de fabricação variam consideravelmente entre os países, com vantagens logísticas e de materiais favoráveis ao México, enquanto a Argentina busca superar desvantagens históricas de custos por meio de novos pacotes de benefícios estatais.
Fontes consultadas
- Paula Gama: México e Argentina zeram tarifas de carros; Brasil segue outro caminho uol.com.br
- México e Argentina zeram tarifas de carros seminovos.com.br
- Argentina y México no solo negocian un acuerdo automotor: están redefiniendo su posición en la nueva industria del automóvil latinoamericana autoxarg.com.ar
- Carros e marcas mais vendidos na Argentina em outubro de 2026 car.blog.br
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