Stellantis avalia plantas na Argentina enquanto Brasil avança em vendas
Montadora analisa cenários regionais em meio ao crescimento de veículos chineses no mercado brasileiro e sul-americano.
A Stellantis estuda diferentes cenários para suas operações industriais na Argentina, podendo manter suas duas fábricas, concentrar a produção em apenas uma unidade ou, em último caso, fechar ambas. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa para a América do Sul, Herlander Zola, em entrevista divulgada em outubro de 2026, destacando que a decisão dependerá da competitividade regional e do comportamento do mercado brasileiro.
A revisão estratégica ocorre em um momento de transformações na indústria automotiva sul-americana. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou 254,9 mil veículos fabricados na China, o que representa uma alta de 106,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. As marcas asiáticas também ampliaram sua participação no mercado argentino, passando de cerca de 2% em 2025 para perto de 10% em agosto de 2026.
Na Argentina, a marca Peugeot registrou queda expressiva na participação de mercado, passando de aproximadamente 9% em 2025 para cerca de 5% em 2026. A abertura do mercado argentino facilitou a entrada de automóveis importados e aumentou a competitividade de modelos fabricados no Brasil, pressionando a estrutura de custos locais, que, segundo a montadora, tornaram a mão de obra argentina mais cara que a brasileira.
Apesar das incertezas na unidade vizinha, as operações da Stellantis no Brasil seguem respaldadas por ciclos de investimentos bilionários. O Polo Automotivo de Betim, em Minas Gerais, concentra uma fatia expressiva das vendas do grupo no país. Em setembro, modelos tradicionais fabricados no complexo mineiro sustentaram grande parte dos emplacamentos da companhia.
O polo mineiro integra um plano de investimentos de R$ 14 bilhões destinados à unidade entre 2025 e 2030, focando na renovação do portfólio e no desenvolvimento de tecnologias híbridas flex, como o sistema Bio-Hybrid. Paralelamente, o Polo de Goiana, em Pernambuco, recebe aportes de R$ 13 bilhões e se prepara para fabricar SUVs da marca chinesa Leapmotor, controlada parcialmente pela Stellantis.
Enquanto o mercado interno brasileiro demonstra aquecimento nas vendas de veículos novos, as exportações do setor recuaram cerca de 23% no acumulado de nove meses de 2026, impactadas principalmente pela retração nas compras feitas pela Argentina. Diante desse cenário, a direção da montadora ressalta que o Brasil responde por cerca de 65% do volume da empresa na região, tornando as regras e o mercado brasileiros peças centrais para o futuro industrial sul-americano.
Fontes consultadas
- Stellantis admite possibilidade de fechar fábricas na Argentina enquanto carros chineses avançam 106% no Brasil e apertam a indústria sul-americana clickpetroleoegas.com.br
- Porsche quer vender menos carros — e ganhar mais dinheiro com cada um mecanicaonline.com.br
- i20 perde 53,8% das vendas e vê HB20 vender 4,5 vezes mais em setembro garagem360.com.br
- Opinião | Dicas para não cair em golpes ao comprar um carro usado estadao.com.br
- Carros fabricados em Betim já representam 53% das vendas da Stellantis no Brasil moonbh.com.br