Pular para o conteúdo
Saúde

Consumo de cafeína na infância afeta desenvolvimento cerebral

Estudo internacional aponta que a ingestão da substância por crianças, especialmente por meio de refrigerantes, está associada a alterações na estrutura cortical e à redução no tempo de sono.

Por 3 min de leitura

Consumo de cafeína na infância afeta desenvolvimento cerebral
Consumo de cafeína na infância afeta desenvolvimento cerebral

O consumo de cafeína por crianças e jovens está associado a pequenas diferenças no desenvolvimento cerebral e à diminuição na qualidade e duração do sono. A conclusão é de uma pesquisa recente liderada por especialistas do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London, no Reino Unido, que analisou dados de milhares de participantes para compreender os reflexos da substância na saúde infantojuvenil.

Para realizar o levantamento, os pesquisadores examinaram informações de 9.632 crianças com idades entre 9 e 11 anos que integraram o Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente, desenvolvido nos Estados Unidos. Os responsáveis informaram a rotina de consumo de bebidas com cafeína — como café, chás e refrigerantes — e detalharam o tempo médio de descanso dos menores de idade.

A etapa seguinte envolveu exames de ressonância magnética para mensurar a espessura e a área da superfície do córtex cerebral, camada externa do cérebro fundamental para processos cognitivos, atenção, controle emocional e tomada de decisões. As análises apontaram que o maior consumo da substância apresentou relação direta com uma menor área de superfície cortical.

O padrão foi identificado em 22 regiões cerebrais distintas, abrangendo todos os quatro lobos do órgão, e ocorreu de maneira mais evidente entre os jovens que consumiam refrigerantes, apontados como a principal fonte de cafeína no grupo estudado. A associação se manteve mesmo após os cientistas ajustarem variáveis socioeconômicas, como renda e nível de escolaridade das famílias.

Segundo Divyangana Rakesh, professora sênior de neurociência e psicologia e autora principal do estudo, os dados indicam que até mesmo níveis reduzidos de consumo já demonstram reflexos na estrutura cerebral e no comportamento posterior. A pesquisadora ressalta que a menor duração do sono atua como um importante fator de ligação nesse processo.

Os jovens com maior ingestão de cafeína dormiam menos, e a privação de sono mostrou correlação com a redução na área da superfície cerebral. Juntos, esses elementos ajudaram a explicar o aumento nos registros de problemas de saúde mental seis meses após a coleta inicial, incluindo dificuldades de atenção, variações de humor e alterações comportamentais, embora apenas a alteração na superfície cortical tenha persistido após dezoito meses.

Os autores do estudo ponderam que os refrigerantes também contêm altos teores de açúcar e aditivos químicos, além de estarem habitualmente associados a estilos de vida menos equilibrados, o que impede determinar com exatidão o impacto isolado da cafeína. Novos exames e acompanhamentos devem ser realizados para aprofundar o entendimento sobre essa relação e proteger o desenvolvimento neurológico na infância.

Fontes consultadas

Leia também