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Esportes

Corinthians não repassa R$ 10 milhões e põe reestruturação de dívida em risco

Atrasos em pagamentos do Regime Centralizado de Execuções ameaçam acordo judicial e podem recolocar o clube paulista na mira de bloqueios e penhoras.

Por 3 min de leitura

Corinthians não repassa R$ 10 milhões e põe reestruturação de dívida em risco
Corinthians não repassa R$ 10 milhões e põe reestruturação de dívida em risco

O Corinthians enfrenta novos riscos financeiros após deixar de repassar cerca de R$ 10,1 milhões previstos pelo Regime Centralizado de Execuções (RCE), mecanismo que centraliza dívidas civis e organiza uma fila única para o pagamento de credores. O descumprimento do acordo homologado em janeiro, que concede ao clube até dez anos para quitar débitos estimados em aproximadamente R$ 239 milhões com empresários, agências de jogadores e uma ex-patrocinadora, foi registrado em documentos que tramitam na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

Com a vigência do RCE, as execuções judiciais ficam concentradas, protegendo o clube de penhoras e bloqueios de contas. No entanto, os atrasos recentes colocam essa proteção em xeque. O Corinthians pagou com atraso apenas R$ 3,5 milhões dos R$ 6 milhões referentes à receita de julho, enquanto a parcela seguinte, de R$ 7,6 milhões, não havia sido quitada até meados de outubro. Diante da situação, a ex-patrocinadora Pixbet pediu à Justiça o reconhecimento do descumprimento do plano, acendendo um alerta na gestão alvinegra.

Enquanto os repasses aos credores do RCE acumulam pendências, o clube manteve em dia os pagamentos destinados a um fundo de investimento que assumiu a dívida com o Talleres, da Argentina, pela contratação do meia Rodrigo Garro. De acordo com a administradora judicial do regime, a Laspro, os valores pagos a esse fundo reduzem o montante que deveria ser repassado pelo clube aos demais credores do processo, gerando divergências sobre os critérios de abatimento.

A pressão sobre as finanças corintianas também se estende à esfera esportiva. Uma parcela de R$ 8 milhões referente a acordos parcelados pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da Confederação Brasileira de Futebol, venceu recentemente e permanece em aberto. O descumprimento de decisões da câmara pode acarretar sanções severas, incluindo a proibição de registrar novos atletas e o bloqueio de premiações em competições.

Paralelamente às pendências civis e esportivas, o Corinthians quitou parte dos valores em atraso de um acordo de renegociação firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A instituição confirmou o pagamento de débitos previdenciários, embora o clube ainda acumule um passivo superior a R$ 19 milhões em parcelas atrasadas desde junho relativas a essa mesma negociação tributária.

Procurado para prestar esclarecimentos sobre a instabilidade no fluxo financeiro, o Corinthians emitiu nota oficial afirmando que acompanha permanentemente a execução do plano e trata de forma técnica e responsável os compromissos assumidos. O clube declarou que os detalhes operacionais e as justificativas formais serão apresentados diretamente nos autos do processo e à administradora judicial.

O passivo total do Corinthians é estimado em R$ 2,7 bilhões, conforme dados declarados à agência de fair play financeiro da CBF. A dinâmica de acúmulo de juros pela taxa Selic e a inclusão contínua de novos créditos reconhecidos judicialmente fazem com que o saldo devedor permaneça elevado, mesmo diante dos aportes realizados pela diretoria ao longo dos últimos meses.

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