Creatina: entenda os benefícios e cuidados no uso do suplemento
Especialistas esclarecem mitos sobre queda de cabelo e orientam sobre a dosagem correta para diferentes faixas etárias.
A creatina consolidou-se como um dos suplementos mais populares entre praticantes de atividades físicas, sendo amplamente reconhecida por auxiliar no ganho de massa muscular, no aumento da força e na melhoria do desempenho em treinos de alta intensidade. Além do uso esportivo, pesquisas recentes indicam que a substância pode oferecer benefícios adicionais, como o suporte à saúde óssea, à imunidade e até mesmo à memória em indivíduos saudáveis.
Apesar do sucesso, o uso do suplemento é frequentemente alvo de dúvidas e mitos. Um dos questionamentos mais comuns refere-se a uma possível relação entre a creatina e a queda de cabelo. Essa preocupação surgiu a partir de um estudo realizado em 2009, que observou um aumento nos níveis de diidrotestosterona (DHT) em jogadores de rúgbi. Contudo, especialistas esclarecem que o estudo não avaliou a saúde capilar dos participantes e que o aumento hormonal detectado permaneceu dentro da faixa de normalidade.
Para sanar essa dúvida, um ensaio clínico randomizado publicado em 2025, com 45 homens, não encontrou diferenças significativas na densidade ou espessura dos fios entre os usuários de creatina e o grupo que utilizou placebo. Dermatologistas reforçam que a calvície masculina é um processo complexo, geralmente ligado à genética, e que não há evidências clínicas sólidas de que o consumo de creatina acelere a perda de cabelos.
No âmbito da saúde renal, a creatinina — um marcador utilizado em exames de sangue para avaliar a função dos rins — pode apresentar alterações temporárias em quem suplementa creatina, devido ao metabolismo muscular. Nutricionistas destacam que, em pessoas saudáveis, não há evidências de danos renais causados pelo uso do suplemento. A recomendação diária habitual varia entre 3 e 5 gramas, sendo fundamental que indivíduos com doenças renais prévias utilizem o produto apenas sob rigoroso acompanhamento médico.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova alegação para o suplemento voltada a adultos com mais de 55 anos. A medida reconhece que o consumo diário de creatina, quando associado a treinos de resistência regulares, pode potencializar o ganho de força muscular nessa faixa etária. Esse reconhecimento é um passo importante para o envelhecimento saudável, auxiliando na preservação da autonomia e da capacidade funcional dos idosos.
É importante ressaltar que a creatina não deve ser utilizada sem critério. A avaliação médica é essencial para considerar o histórico de saúde, o uso de outros medicamentos e a necessidade individual de cada paciente. Além disso, a eficácia do suplemento está diretamente ligada à prática de exercícios físicos, não sendo um substituto para o treinamento ou para uma dieta equilibrada.
Ao realizar exames de sangue, é recomendável informar ao médico o uso de suplementos, incluindo a creatina. Fatores como desidratação, intensidade dos exercícios e consumo de proteínas também podem influenciar os níveis de creatinina, tornando necessária uma interpretação profissional que considere o contexto clínico completo, em vez de analisar números isolados.
Fontes consultadas
- Creatinina alta ou baixa no exame de sangue: o que significa e o que fazer tuasaude.com
- Creatina pode ajudar memória, imunidade e saúde muscular diariodocentrodomundo.com.br
- A creatina faz o cabelo cair? Especialistas respondem gq.globo.com
- Anvisa autoriza nova alegação para creatina voltada a pessoas acima de 55 anos terra.com.br
- Como Manu Cit transformou sua influência digital em um negócio de R$ 60 milhões veja.abril.com.br