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Política

Crescimento do Partido Liberal e desafios para a governabilidade no Brasil

Mesmo com bancadas ampliadas no Congresso, presidenciável Flávio Bolsonaro precisará negociar coalizões para aprovar reformas e mudanças constitucionais.

Por 3 min de leitura

Crescimento do Partido Liberal e desafios para a governabilidade no Brasil
Crescimento do Partido Liberal e desafios para a governabilidade no Brasil

O resultado da primeira volta das eleições presidenciais de 2026 no Brasil colocou o Partido Liberal (PL) no centro das discussões sobre governabilidade e a dinâmica do presidencialismo multipartidário. Flávio Bolsonaro terminou a votação realizada em 4 de outubro na primeira colocação, alcançando 47,03% dos votos válidos, o que representa pouco mais de 56 milhões de eleitores. Na segunda posição ficou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 45,16% e cerca de 53,9 milhões de votos. Como nenhum dos concorrentes atingiu a maioria absoluta, a disputa presidencial será decidida no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.

O desempenho eleitoral do PL refletiu-se fortemente na composição do Congresso Nacional, gerando expectativas iniciais sobre uma suposta facilidade de aprovação de pautas legislativas. Na Câmara dos Deputados, a legenda passou de 98 parlamentares em 2022 para 121 em 2026, concentrando 23,6% das cadeiras. No Senado Federal, o crescimento foi ainda mais expressivo, saltando de 12 para 28 senadores. Analistas políticos ponderam, contudo, que o tamanho da bancada partidária não assegura governabilidade automática em um sistema fragmentado.

Para alcançar maioria absoluta na Câmara, um governo precisa de pelo menos 257 deputados, enquanto Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) exigem o aval de 308 parlamentares. No Senado, aprovações de mudanças na Constituição demandam três quintos dos votos, equivalentes a 54 senadores. Dessa forma, mesmo com o avanço expressivo do PL, o partido permanece distante de controlar sozinho as casas legislativas, o que obriga a construção de alianças políticas.

O cenário político institucional brasileiro registrou um deslocamento do Congresso para a direita. A mediana ideológica da Câmara mudou de posições ocupadas anteriormente por partidos como PROS e Podemos, em 7,68, para siglas como PP e PRD, fixando-se em 8,4 numa escala de esquerda a direita. Apesar disso, o centro manteve-se decisivo. Legendras como União Brasil, PP e Republicanos somam 128 deputados, mantendo papel central na formação de maiorias legislativas.

Diante desse panorama, o candidato do PL já começou a receber apoios formais de lideranças e partidos conservadores de olho na segunda volta. O partido NOVO declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, após o posicionamento antecipado de Romeu Zema. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato pelo PSD na primeira volta, também declarou apoio ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora o seu partido ainda não tenha oficializado a decisão. No estado de São Paulo, o governador reeleito Tarcísio de Freitas antecipou-se ao Republicanos e declarou apoio formal ao candidato do PL.

Em declarações recentes em Brasília, Flávio Bolsonaro sinalizou a intenção de utilizar o capital político de um presidente recém-eleito para promover alterações constitucionais voltadas à redemocratização do país. Entre as propostas mencionadas pelo candidato estão a reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal, pontos da reforma tributária e o fim da reeleição para cargos executivos, com definição pelo Congresso se o mandato passará a ser de quatro ou cinco anos.

Por outro lado, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, declarou que Jair Bolsonaro poderá ser candidato à presidência em 2030, caso Flávio vença o pleito atual e atue para libertar o pai. No campo oposto, a campanha de Lula busca articular apoios junto a forças de centro para reduzir a distância ideológica em relação ao novo perfil do parlamento, cujos custos de coordenação e negociação prometem influenciar o próximo mandato presidencial, independentemente do vencedor das urnas.

Fontes consultadas

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