Data center no Paraguai utilizará energia da usina de Itaipu a partir de 2027
Parceria entre empresas dos EUA e do Paraguai prevê instalação de infraestrutura de computação de alto desempenho próxima à hidrelétrica.
O governo dos Estados Unidos anunciou a formalização de um acordo estratégico para a construção de um centro de computação de alto desempenho e inteligência artificial no Paraguai, que será abastecido pela energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O projeto, fruto de uma parceria entre a empresa norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico, tem previsão de início das operações para meados de 2027.
A instalação será erguida nas proximidades de uma subestação de Itaipu, no território paraguaio. O empreendimento deve começar com uma capacidade de 106 megawatts (MW) voltada à tecnologia da informação, com potencial de expansão para até 280 MW no longo prazo. O objetivo é atender clientes de serviços de computação em nuvem localizados tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina.
A usina de Itaipu, administrada de forma binacional por Brasil e Paraguai, destina metade da energia produzida para cada país. Historicamente, o Paraguai não consome toda a sua cota, e o excedente é adquirido pelo Brasil. No entanto, o crescimento do consumo interno paraguaio, impulsionado pela atração de data centers, tem reduzido o volume de energia que sobra para o mercado brasileiro nos últimos anos.
Especialistas do setor energético apontam que o aumento contínuo dessa demanda interna no Paraguai pode levar o país vizinho a utilizar a totalidade de sua parcela da produção de Itaipu, eliminando o excedente que historicamente abastece o Brasil. Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que, entre 2023 e 2025, o fornecimento de Itaipu ao Paraguai cresceu 32%, enquanto a energia da parcela paraguaia destinada ao Brasil registrou queda de 53%.
O lado brasileiro da usina informou, por meio de nota, que a visita de autoridades americanas ao Paraguai integrou uma agenda exclusiva do governo paraguaio, sem a participação de representantes do Brasil. A administração brasileira reforçou que as condições de comercialização da energia seguem as regras do tratado binacional e que a usina não interfere na demanda nacional de cada país, sendo projetos dessa natureza de competência interna de cada sócio.
O planejamento energético brasileiro já considera a redução do excedente paraguaio. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, mencionou que a modernização do sistema de transmissão de Itaipu tem sido priorizada de forma cautelosa, condicionada à evolução da demanda do país vizinho. Embora o Brasil possua uma sobra estrutural de energia, a eletricidade de Itaipu é estratégica para o atendimento dos picos de consumo diários.
As discussões sobre a comercialização da energia e a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras da hidrelétrica, seguem como um tema central na relação diplomática. Um entendimento firmado em 2024 estabeleceu tarifas válidas até o final de 2026, prevendo que, a partir de 2027, o Paraguai deverá contratar toda a potência necessária para seu consumo interno, permitindo que o excedente seja comercializado livremente no mercado brasileiro.
Fontes consultadas
- Data centers podem levar Paraguai a usar toda sua parte de Itaipu - MegaWhat megawhat.uol.com.br
- Governo Trump comemora acordo para usar energia de Itaipu em data center no Paraguai - ICL Notícias iclnoticias.com.br
- EUA anunciam acordo com Paraguai para usar energia de Itaipu canalsolar.com.br
- EUA anunciam acordo com Paraguai para usar energia de Itaipu em projeto de tecnologia valor.globo.com
- EUA anunciam acordo com Paraguai para usar energia de Itaipu em empresa de IA oglobo.globo.com