Consumo do Paraguai pode elevar preço de energia no Brasil
Mudança nas projeções de consumo da Usina de Itaipu aponta para alta nos custos e maior uso de termelétricas nos próximos anos.
A alteração na metodologia de previsão do consumo de energia de Itaipu pelo Paraguai pode elevar em até 25% o preço marginal médio da energia no Brasil em 2028, conforme simulações divulgadas pelo Itaú BBA. O estudo também aponta para um acréscimo estimado de cerca de 11% no despacho termelétrico anualmente entre 2027 e 2029, em comparação com as projeções anteriores do banco.
Os analistas responsáveis pelo relatório calculam que os preços marginais médios fiquem mais altos nos próximos anos, representando aumentos de 21% em 2027, 25% em 2028 e 17% em 2029. O preço marginal reflete o custo estimado para atender a uma demanda adicional no sistema elétrico, considerando todas as fontes de geração disponíveis.
A proposta de revisão foi apresentada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), estatal responsável pela administração do lado brasileiro de Itaipu, ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) durante o Programa Mensal da Operação de outubro. A nova metodologia tem previsão de adoção para janeiro de 2027, com o objetivo de alinhar as estimativas ao forte crescimento do consumo paraguaio.
De acordo com os dados levantados, o fornecimento de energia de Itaipu para a Administración Nacional de Electricidad (Ande), estatal do sistema elétrico paraguaio, registrou alta de 26% em 2025 e continuou a subir nos primeiros nove meses de 2026. Esse avanço tem sido impulsionado pela expansão de atividades que demandam grande volume de eletricidade, como data centers e a mineração de criptomoedas.
Pelo tratado da usina binacional, o Brasil e o Paraguai dividem igualmente a produção de energia, sendo que a parcela não utilizada pelo país vizinho é historicamente destinada ao mercado brasileiro. Com a expansão do consumo interno paraguaio, a quantidade de energia de Itaipu disponível para o Brasil sofre reduções, elevando a necessidade de suprimento por outras fontes no sistema nacional.
O Itaú BBA destaca que o aumento da carga projetada para o Paraguai coincide com o período de maior demanda no Sistema Interligado Nacional, especialmente no início da noite, quando a geração solar diminui. Nos cenários avaliados, a maior necessidade de geração nos horários de pico pode beneficiar empresas do setor que possuem ativos termelétricos e hidrelétricos com energia descontratada.