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Política

Defesa de Vorcaro aponta alteração em celular após apreensão da PF

Laudo particular entregue ao STF aponta que centenas de arquivos foram criados ou modificados enquanto o aparelho estava sob custódia estatal.

Por 3 min de leitura

Defesa de Vorcaro aponta alteração em celular após apreensão da PF
Defesa de Vorcaro aponta alteração em celular após apreensão da PF

A defesa do empresário Daniel Vorcaro protocolou nesta quinta-feira (29) no Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial particular que aponta a modificação e a criação de centenas de arquivos no aparelho celular do investigado após sua apreensão pela Polícia Federal (PF). O dispositivo foi confiscado no dia 17 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

De acordo com a perícia técnica apresentada pelos advogados, 657 arquivos foram modificados e 436 novos itens foram criados no dia 18 de novembro, um dia após a captura do telefone. O levantamento detalha que entre as alterações constam 59 bancos de dados modificados, além de 94 imagens e cinco novos bancos de dados gerados no período.

O documento aponta ainda uma intensa atividade no smartphone durante a madrugada, enquanto o aparelho já estava em posse das autoridades em modo avião. O relatório oficial citado pela defesa registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal por reconhecimento facial e três conexões via porta USB entre a noite de 17 de novembro e a madrugada do dia 18.

Os advogados destacam que o banco de dados do aplicativo WhatsApp sofreu alterações poucas segundos após uma das conexões USB registradas. "O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", declarou a defesa por meio de nota oficial.

Diante dos indícios levantados pelo assistente técnico, a defesa argumenta que a integridade da principal prova da investigação foi comprometida. Os representantes legais afirmam que a falta de controle e de rastreabilidade na cadeia de custódia impede a verificação da integridade do material digital e solicitaram ao STF a entrega dos dados originais e a soltura imediata do ex-banqueiro.

O material pericial veio a público apenas um dia após a Polícia Federal indiciar Vorcaro e mais 14 investigados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. No relatório policial, os investigadores apontam que o fundador do Banco Master teve participação direta e diretiva nas operações com carteiras de crédito irregulares ligadas ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Após o indiciamento, a defesa negou irregularidades nas negociações com o banco público e sustentou que as operações geraram resultados positivos, sem prejuízos apurados por perícia oficial. Os advogados criticaram o avanço das investigações e reiteram que o cenário atual torna a prisão preventiva insustentável diante das falhas apontadas na custódia das provas digitais.

Fontes consultadas

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