Investigações da PF apontam novos desdobramentos sobre Daniel Vorcaro
Documentos e registros oficiais detalham suspeitas de conexões do ex-banqueiro com políticos e operadores em Brasília.
Registros do Palácio do Planalto e dados extraídos de celulares revelam encontros e articulações ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações, que vieram a público recentemente, detalham supostas tentativas de liberação de investimentos de grandes fundos de pensão em troca de pagamentos ilícitos, envolvendo nomes de destaque no cenário político nacional.
De acordo com os levantamentos, Vorcaro teria se reunido com o lobista Júlio Cezar no Palácio do Planalto em datas como 1º de março e 3 de abril de 2024. O ex-banqueiro relatou aos investigadores que o grupo buscava viabilizar aportes financeiros de fundos como Previ, Petros e Postalis, sob a condição de repasses de propina que chegariam a 10% dos valores captados. A proposta de delação apresentada por Vorcaro, contudo, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de provas materiais suficientes.
Apesar da rejeição da delação, mensagens e registros de agenda apreendidos pela Polícia Federal demonstram a intensa movimentação de Júlio Cezar na organização dos compromissos de Vorcaro em Brasília. O plano inicial previa a captação de até R$ 10 bilhões em recursos de instituições públicas. O esquema teria contado com um contrato simulado para mascarar o repasse de um sinal de R$ 500 mil após a autorização formal para a atuação do banco nos fundos.
As negociações, segundo o ex-banqueiro, acabaram interrompidas após a publicação de reportagens jornalísticas em julho de 2024, que revelaram a demissão de gerentes da Caixa Asset contrários a uma aplicação de R$ 500 milhões no Banco Master. Representantes do governo citados nas apurações negaram veementemente qualquer envolvimento em irregularidades.
Em paralelo, novas frentes de investigação da Polícia Federal ampliaram o escopo das apurações em torno de Vorcaro e sua rede de relações. Relatórios recentes apontam que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro aparecia como usuário master de uma conta bancária vinculada à empresa offshore Alcazar Holdings, sediada em Portugal.
A referida offshore detinha participação societária em uma empresa proprietária de um jato executivo Embraer Legacy 650, aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro em deslocamentos como a viagem realizada para os Estados Unidos em janeiro de 2025. A defesa do senador e de seu amigo, o advogado Willer Tomaz, sustenta que as acusações de sociedade ou vínculo financeiro são falsas, afirmando que o parlamentar utilizou o transporte apenas como convidado e que a exclusão do nome nas contas bancárias demonstra a indevida vinculação.
As autoridades continuam analisando os materiais apreendidos, incluindo mensagens trocadas por aplicativos criptografados e registros de viagens internacionais da família do parlamentar, para esclarecer se houve participação econômica não formalizada ou movimentação de recursos nas estruturas investigadas.