Disputa acirrada pelo Senado dos EUA no Texas mobiliza eleitores
Pesquisas finais mostram cenário apertado entre o democrata James Talarico e o republicano Ken Paxton.
A disputa pela vaga do Texas no Senado dos Estados Unidos entrou na reta final nesta semana com os candidatos James Talarico, representante estadual democrata, e Ken Paxton, procurador-geral republicano, realizando comícios de encerramento de campanha. O pleito ocorre em um estado historicamente dominado pelos republicanos, onde nenhum democrata venceu uma eleição para o Senado federal desde 1988, tornando esta corrida uma das mais observadas do país.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera da eleição apontam uma vantagem estreita para Talarico. Levantamentos de institutos como AtlasIntel e New York Times/Siena College colocam o candidato democrata à frente com margens que variam de cerca de seis a sete pontos percentuais. No entanto, outras pesquisas mostram cenários ainda mais apertados, dentro da margem de erro, com alertas de lideranças republicanas locais sobre o risco real de perderem o reduto eleitoral.
Enquanto Talarico busca atrair o eleitorado com propostas de cunho populista econômico — como a revogação de cortes de impostos para a parcela mais rica da população, o estabelecimento de creches universais e o teto para juros de cartão de crédito —, Paxton aposta na pauta conservadora tradicional. Alinhado ao presidente Donald Trump, o procurador-geral defende cortes de impostos, endurecimento das leis de imigração e conclusão da construção do muro na fronteira.
A campanha também foi marcada por ataques pessoais e polêmicas colaterais, incluindo questionamentos da oposição sobre a vida pessoal de Talarico e falsas acusações de que ele seria vegano, rótulo que gerou apelidos pejorativos por parte de adversários em um estado com forte tradição no consumo de carne. Talarico tem contado com o apoio de sua namorada e conselheira de longa data, Brianna Menard, que já atuou como sua chefe de gabinete e diretora de comitê político na área de saúde.
A corrida eleitoral no Texas tem implicações diretas para o equilíbrio de forças em Washington. Atualmente, os republicanos detêm uma maioria de 53 a 47 no Senado, contando com os independentes alinhados aos democratas. Como o vice-presidente republicano pode desempatar votações em caso de empate em 50 a 50, o partido opositor precisa conquistar quatro novas cadeiras para assumir o controle da casa legislativa.
O comparecimento às urnas no Texas superou marcas anteriores de eleições de meio de mandato, com mais de 7,7 milhões de votos antecipados registrados antes do dia oficial do pleito. Tanto democratas quanto republicanos intensificaram os apelos para que a base compareça aos locais de votação, refletindo a imprevisibilidade de um resultado que pode redefinir o panorama político americano.