Dívida bruta do governo chega a R$ 11,1 trilhões e fica em 82,9% do PIB
Indicador oficial divulgado pelo Banco Central aponta que o endividamento alcançou o maior patamar desde março de 2021.
A Dívida Bruta do Governo Geral encerrou o mês de setembro em 82,9% do Produto Interno Bruto, alcançando o patamar de R$ 11,1 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O indicador permaneceu estável em relação ao mês de agosto, mas atinge o seu nível mais elevado desde março de 2021, período em que os impactos da pandemia de Covid-19 sobre as contas públicas elevaram o endividamento a 85,1% do PIB.
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida bruta acumula um crescimento de 11,2 pontos percentuais. Em dezembro de 2022, antes da posse do atual governo, o indicador correspondia a 71,7% do PIB. No acumulado de 2026, a alta registrada é de 4,3 pontos percentuais, impulsionada principalmente pela incorporação dos juros nominais.
As despesas com juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro, o que representa 8,99% do PIB. No mesmo período encerrado em 2025, os gastos com juros haviam somado R$ 984,8 bilhões. A taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano, tem sido um dos principais fatores de pressão sobre o financiamento da dívida pública.
A Dívida Líquida do Setor Público, que desconta os ativos financeiros das obrigações do governo, subiu para 70% do PIB em setembro, totalizando R$ 9,4 trilhões. O resultado representa um avanço mensal de 0,7 ponto percentual e atinge o maior patamar da série histórica do Banco Central, que teve início em dezembro de 2001.
No aspecto fiscal de curto prazo, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, apresentando uma melhora em comparação ao resultado negativo de R$ 17,5 bilhões observado no mesmo mês do ano anterior. O governo central apresentou superávit de R$ 3,5 bilhões no período, enquanto os governos regionais e as empresas estatais registraram déficits de R$ 5,6 bilhões e R$ 3,4 bilhões, respectivamente.
Especialistas apontam que a trajetória da dívida pública e o volume elevado de pagamentos de juros continuam a representar um grande desafio para o equilíbrio fiscal do país. Simulações divulgadas pela autoridade monetária indicam que uma eventual redução na taxa básica de juros ou ajustes estruturais nas contas poderiam amenizar o ritmo de crescimento do endividamento nos próximos períodos.
Fontes consultadas
- Dívida bruta fica em 82,9% do PIB, diz Banco Central poder360.com.br
- Dívida bruta se mantém em 82,9% do PIB em setembro, maior nível desde 2021 dcomercio.com.br
- Juros da dívida pública chegam a R$ 1,2 trilhão em 12 meses, aponta Banco Central - Portal 98 FM Natal 98fmnatal.com.br
- Dívida pública atinge R$ 11,1 trilhões no governo Lula e alcança o pior patamar desde 2021 - Blog do BG blogdobg.com.br
- Dívida fica em 82,9% do PIB, e setor público tem déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro oglobo.globo.com