Pular para o conteúdo
Economia

Mercado piora projeção fiscal e Lula defende crescimento contra cortes

Relatório Prisma Fiscal aponta alta na estimativa de déficit para 2026, enquanto o presidente rejeita medidas que penalizem a população de baixa renda.

Por 2 min de leitura

Mercado piora projeção fiscal e Lula defende crescimento contra cortes
Mercado piora projeção fiscal e Lula defende crescimento contra cortes

Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda revisaram para pior as projeções para o déficit primário do governo central e para a dívida pública em 2026, conforme dados do relatório Prisma Fiscal divulgado em outubro. A mediana das expectativas para o déficit primário no período passou de R$ 52,27 bilhões para R$ 53,05 bilhões. Em contrapartida, a estimativa para 2027 apresentou melhora, com o rombro previsto caindo de R$ 45,35 bilhões para R$ 44 bilhões.

No que tange ao principal indicador de endividamento do país, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) para o final de 2026 foi estimada em 83,4% do Produto Interno Bruto (PIB), uma alta em relação aos 83,2% projetados no levantamento anterior. Para o ano de 2027, o patamar permaneceu estável em 87% do PIB. A equipe econômica atribui o nível elevado do endividamento ao impacto da taxa básica de juros, a Selic, sobre os gastos com o serviço da dívida pública.

Diante do cenário fiscal desafiador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista concedida nesta quinta-feira (15) que está preocupado com o avanço da dívida, mas ressaltou que a solução para o problema não deve passar por cortes de gastos que afetem a população mais pobre. Segundo o mandatário, histórico de ajustes fiscais frequentemente recai sobre os mais vulneráveis.

O presidente defendeu que a melhor maneira de reduzir a relação entre o déficit e a dívida é estimular a expansão econômica. Conforme sua avaliação, o controle orçamentário é fundamental para evitar crises que prejudiquem os setores mais fracos da sociedade, mas as medidas adotadas devem preservar investimentos sociais e a circulação de recursos na base da economia.

Lula também argumentou que o endividamento precisa ser analisado conforme o destino dado aos recursos, defendendo aportes em ativos produtivos como ferrovias, portos e hidrelétricas. Além disso, o chefe do Executivo destacou a importância de incentivar a microeconomia por meio de iniciativas como o microcrédito e o apoio a pequenos empreendedores.

As projeções do mercado também indicam que o resultado nominal do governo em 2026, que engloba o pagamento de juros, deverá registrar um déficit de R$ 1,120 trilhão. Para 2027, o déficit nominal estimado é de R$ 1,132 trilhão. Enquanto analistas financeiros apontam a necessidade de maior rigor fiscal, o governo reforça o compromisso de manter a valorização real do salário mínimo e evitar o desfinanciamento de políticas sociais.

Fontes consultadas

Leia também