Douglas Ruas assume governo do Rio sob investigação do Ministério Público
O governador eleito do Rio de Janeiro enfrenta apurações por lavagem de dinheiro e peculato enquanto articula medidas de segurança pública.
O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), encaminha-se para assumir o Palácio Guanabara em 2027 já sob a mira de investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A apuração, que tramita em segredo de justiça no Tribunal de Justiça fluminense, concentra-se em suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios relacionados ao crescimento patrimonial de empresas ligadas ao político e a seus familiares.
A mudança no cenário político estadual ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir pela anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) devido à sua inelegibilidade. Com a retotalização dos votos válidos determinada pela Corte, Ruas alcançou a marca de 50,9% no primeiro turno, garantindo a vitória matemática antes de uma eventual disputa de segundo turno contra o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), que já anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações do Ministério Público apontam para um suposto enriquecimento ilícito e conflito de interesses durante o período em que Ruas esteve à frente da Secretaria das Cidades, entre 2023 e 2026, na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). O foco recai sobre o crescimento financeiro de companhias como a construtora Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a administradora financeira DM Invest Consultoria e Participações, nas quais ele e seu pai, o prefeito de São Gonçalo Capitão Nelson, figuram como sócios.
Questionado sobre o inquérito, Douglas Ruas negou veementemente qualquer tipo de irregularidade e declarou não estar preocupado com o andamento do procedimento. O político argumenta que o caso teve origem em uma denúncia anônima e que apurações semelhantes já foram arquivadas por falta de comprovação. Na visão do governador eleito, as acusações representam manobras da oposição e ataques motivados pelo contexto da disputa eleitoral estadual.
Caso Ruas seja oficialmente diplomado e empossado como governador, o foro privilegiado alterará a competência jurídica do caso, fazendo com que o inquérito seja remetido do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Paralelamente às questões judiciais, o novo chefe do Executivo estadual já projeta as prioridades de sua futura administração, com forte ênfase na área de segurança pública e no combate ao crime organizado.
Entre as propostas anunciadas por Ruas estão a convocação de todos os candidatos excedentes aprovados em concursos das forças policiais e a implementação de uma estratégia de ocupação permanente em territórios dominados pelo tráfico de drogas e por milícias. O governador eleito também manifestou a intenção de revisar indicadores tradicionais de desempenho policial e buscar parcerias institucionais com os prefeitos dos 92 municípios do estado, priorizando critérios técnicos na montagem de sua base na Alerj.
Fontes consultadas
- Disque Denúncia divulga cartaz de quatro foragidos por tentativa de latrocínio no Recreio, no Rio noticias.r7.com
- Douglas Ruas deve assumir governo do Rio já investigado por lavagem de dinheiro tmc.com.br
- Futuro governador do Rio, Douglas Ruas anuncia plano para retomar áreas dominadas pelo tráfico e pela milícia diariodorio.com
- Douglas Ruas critica judicialização da eleição e se declara governador agenciabrasil.ebc.com.br
- quem é o bolsonarista que pode ser declarado governador do RJ diariodocentrodomundo.com.br