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Brasil

Doze policiais militares são afastados por divulgação de imagens de tortura no Paraná

Operação da Corregedoria da PMPR investiga esquema de compartilhamento e venda de vídeos de violência em abordagens policiais.

Por 3 min de leitura

Doze policiais militares são afastados por divulgação de imagens de tortura no Paraná
Doze policiais militares são afastados por divulgação de imagens de tortura no Paraná

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR) deflagrou, nesta sexta-feira (16), uma operação para investigar o compartilhamento e a comercialização de imagens de tortura e abuso de autoridade envolvendo agentes da corporação. Ao todo, 12 policiais militares foram afastados de suas atividades operacionais por determinação da Vara da Justiça Militar Estadual. A ação, que contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em 12 municípios paranaenses.

A investigação, denominada operação 'Zeitgeist', teve início em junho deste ano após denúncias anônimas e um alerta feito por um parlamentar estadual sobre a existência de um perfil em rede social chamado 'militardoparana'. Segundo a corporação, o canal era utilizado para publicar fotos e vídeos de violência explícita, incluindo cenas de tortura contra pessoas em situação de rua, indivíduos detidos ou feridos, além de registros feitos no interior de viaturas e unidades policiais.

O subcomandante-geral da PMPR, coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, explicou que o conteúdo expunha de forma indevida tanto as vítimas quanto a imagem da instituição. De acordo com o oficial, a apuração identificou que alguns dos policiais afastados apareciam nas gravações, enquanto outros interagiam em grupos de mensagens onde o material era disseminado. Entre os afastados, consta pelo menos um oficial da corporação. Além disso, as investigações apontam a participação de um policial civil no esquema de distribuição de mídias.

O esquema operava através de diferentes plataformas digitais. O perfil no Instagram funcionava como uma vitrine pública, exibindo trechos de vídeos como forma de atrair seguidores. Para ter acesso às versões completas e sem censura, os interessados precisavam realizar o pagamento de uma assinatura, com o material sendo entregue por meio de grupos fechados no Telegram. O administrador do perfil, um homem de 22 anos que não integra a Polícia Militar, também foi alvo da operação.

Durante o cumprimento dos mandados, três pessoas foram presas em flagrante, sendo duas por porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo. As equipes apreenderam diversos dispositivos eletrônicos, incluindo 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois HDs e um cartão de memória, além de armas e munições de calibres variados. O material será periciado para individualizar a conduta de cada um dos investigados e identificar a origem exata de todas as mídias compartilhadas.

A PMPR ressaltou que os afastamentos possuem caráter cautelar para garantir a integridade das investigações. Embora 12 agentes tenham sido afastados inicialmente, a lista total de investigados pela corporação chega a 42 membros. O comando da Polícia Militar afirmou que não compactua com esse tipo de conduta e que os envolvidos serão submetidos aos devidos processos disciplinares e criminais conforme a comprovação de suas participações nos fatos apurados.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama. Após a repercussão das denúncias e o início das investigações, o perfil nas redes sociais foi desativado e os grupos de mensagens foram excluídos pelos responsáveis.

Fontes consultadas

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